Waldemar Borges reclama de novo pedido de empréstimo de Raquel Lyra enquanto Governo critica demora em votações

Enquanto os governistas criticam envio de projetos de Raquel Lyra para Procuradoria da Alepe, Waldemar Borges chama de critica pedido de novo empréstimo

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 09/01/2026, às 08h48 - Atualizado às 09h42

Waldemar Borges, do PSB, na Alepe
Waldemar Borges teceu críticas após a governadora Raquel Lyra pedir nova contratação de empréstimo. Governistas criticam impasses e falam que oposição dificulta trabalho - Alepe/Divulgação

Crítica de Borges: Waldemar Borges (PSB) chamou de "incapacidade gerencial" o novo pedido de empréstimo de R$ 5,2 bilhões, alegando que o governo tem dinheiro autorizado mas não executa.

Defesa do Governo: Gestão Raquel Lyra soma R$ 11 bilhões em créditos para obras como Arco Metropolitano e BR-232, projetando recorde de investimentos em 2026.

Crítica Governista: Socorro Pimentel e Antônio Moraes atacaram a decisão de Álvaro Porto de travar projetos na Procuradoria, chamando o ato de "desrespeito" e "briga insana".

A Procuradoria: O procurador Paulo Pinto defendeu a análise técnica prévia, citando a complexidade dos vetos à LOA e o prazo vencido do repasse do TJPE.

Sessão Extra: A Alepe opera em recesso para votar a pauta urgente, que inclui dívida, orçamento e repasses judiciais.

Enquanto os deputados estaduais compareceram apenas a uma reunião na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta semana, os lados opositores do Parlamento criticam seus adversários.

Após uma reunião de instalação curta na segunda-feira (05), deputados como a líder do governo Socorro Pimentel (União Brasil) e Antônio Moraes (PP) criticam a ação do presidente Álvaro Porto (PSDB) que, segundo eles, desacelerou o processo de votação dos projetos enviados pela governadora Raquel Lyra (PSD).

Além das reclamações dos governistas, a oposição também tece críticas durante esse período extraordinário de atividades da Alepe.

O deputado Waldemar Borges (MDB) criticou o Governo Raquel após a gestão colocar entre os projetos urgentes para o período extraordinário um pedido de empréstimo.

Borges questionou a necessidade de novas operações de crédito, que somam R$ 5,2 bilhões com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, sob a justificativa de reestruturação da dívida pública.

O parlamentar argumenta que o problema não é a falta de dinheiro, mas a execução. Segundo ele, a Assembleia já autorizou cerca de R$ 13 bilhões em empréstimos desde o início da gestão, mas o governo conseguiu captar apenas R$ 3,7 bilhões.

"Esse governo é muito ruim de serviço. A sua gestão é amarrada, a sua incapacidade gerencial é absurda", criticou Borges em vídeo nas redes sociais, citando a entrega de creches como exemplo de promessa que não avançou no ritmo esperado.

O Pacote de Crédito de Raquel Lyra

O governo Raquel Lyra defende que a estratégia de crédito é fundamental para destravar investimentos. Com a aprovação do último empréstimo de R$ 1,7 bilhão em dezembro, a gestão soma R$ 11 bilhões em operações contratadas ou autorizadas para o ciclo até 2026.

Os recursos seriam para financiar obras estruturadoras, como o Arco Metropolitano, a continuidade da duplicação da BR-232 e a recuperação da malha viária, além de aportes em saúde, segurança e saneamento.

Segundo o secretário de Planejamento, Fabrício Marques, o estado terá R$ 7,5 bilhões em investimentos apenas em 2026, o maior volume dos últimos 15 anos.

Governistas criticam ação de Porto e Oposição sobre projetos de Raquel Lyra

Socorro Pimentel chegou a afirmar que não era aceitável que a Procuradoria da Assembleia fosse "maior do que os 49 deputados nessa Casa". A líder do governo Raquel disse sentir-se "profundamente desrespeitada" após a Mesa Diretora não responder seus questionamentos. A Mesa declarou que não houve tempo de avaliação e que após o parecer da Procuradoria os projetos entrariam em pauta. 

No mesmo direcionamento, o deputado Antônio Moraes chamou a situação entre Alepe e Governo de Pernambuco de uma "briga insana" e disse que "procurador não tem a função de decidir sobre essas matérias, a decisão final cabe ao plenário".

O decano da Assembleia citou que as brigas entre oposição e governo acontecem "por interesses próprios" em vez de focar no estado.

Impasse com governistas aumentou após Porto enviar projetos para Procuradoria da Alepe

Porto enviou para Procuradoria a situação dos vetos de Raquel Lyra para Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 e um pedido de repasse de recursos para o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Segundo o presidente da Assembleia, a distribuição para o TJPE teve o prazo vencido antes de chegar nas mãos dos deputados, o que causaria um impasse sobre a viabilidade de aprovar um projeto que a data já passou.

Após as críticas, o responsável pela Procuradoria da Alepe, procurador Paulo Pinto, falou sobre o tema e defendeu a ação de Álvaro Porto.

Em entrevista para o Diário de Pernambuco, Paulo afirmou que a Procuradoria "é um órgão composto por procuradores concursados, efetivos, com estabilidade, não está sujeita a pressões" e que o envio dos projetos para o setor foi necessário.

Segundo ele, a procuradoria precisa definir o procedimento de como atuar sobre um veto em uma lei orçamentária, com ritos diferentes na Assembleia.

Porque a Alepe está trabalhando no recesso parlamentar

A governadora Raquel Lyra convocou a Alepe extraordinariamente  para votar quatro projetos em regime de urgência.

Além dos ajustes na LOA 2026 e do repasse do TJPE, a pauta inclui a autorização de contratação de crédito de R$ 5,2 bilhões, alvo das críticas de Waldemar Borges, e ajustes na execução de empréstimos anteriores.