Alepe retoma atividades extraordinárias nesta segunda (05), mas pauta só deve retomar próxima semana

Alepe retoma nesta segunda (05) discussão sobre projetos enviados por Raquel Lyra. Pautas só devem ter foco próxima semana após aval da Procuradoria

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 05/01/2026, às 07h56 - Atualizado às 09h31

Plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco
Alepe retoma atividades hoje - DIVULGAÇÃO

Retomada: A Alepe instala a convocação extraordinária nesta segunda-feira (05), às 10h.

Atraso: A discussão prática deve ficar para a próxima semana; a CCLJ só deve se reunir na terça-feira que vem, aguardando pareceres da Procuradoria.

Conflito: Governistas como Socorro Pimentel e Débora Almeida criticam a decisão de submeter projetos ao crivo jurídico antes das comissões.

Articulação: O governo aprovou a convocação na sexta (2) com o quórum exato de 25 votos, garantido pelo retorno de Abimael Santos (PL) de uma viagem.

Comando: Rodrigo Farias (PSB) assume a presidência interina da Casa com a viagem de Álvaro Porto.

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) instala, às 10h desta segunda-feira (05), o período de convocação extraordinária. Para a abertura da sessão, é necessária a presença mínima de 10 parlamentares no plenário. Os deputados interrompem o recesso parlamentar após solicitação da governadora Raquel Lyra (PSD). 

Apesar do início oficial, a discussão das matérias deve ocorrer com mais força apenas na próxima semana.

Isso porque o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), submeteu parte do pacote governista para análise da Procuradoria Legislativa, antes do envio às comissões.

O presidente da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ), deputado Alberto Feitosa (PL), sinalizou que pretende marcar a primeira reunião do colegiado apenas para a terça-feira da semana que vem. O oposicionista aguarda os pareceres jurídicos sobre os projetos da Lei Orçamentária Anual (LOA) e do repasse financeiro do Tribunal de Justiça (TJPE).

"A governadora mandou coisas que nunca houve, como um veto onde não cabe veto. Preciso saber como será a orientação da Procuradoria", justificou Feitosa.

Reação Governista

A estratégia de reter os projetos na Procuradoria gerou críticas na base de Raquel Lyra. A líder do governo, Socorro Pimentel (União Brasil), afirmou que a bancada terá que agir com "resiliência", mas questionou a sobreposição do órgão técnico ao mandato parlamentar eleito. 

No mesmo tom, a deputada Débora Almeida (PSDB) acusou o presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), de "usurpar a competência do plenário" ao tomar decisões monocráticas baseadas em consultas técnicas.

Quórum exato para aprovar pausa no recesso

A instalação dos trabalhos hoje só foi possível porque o governo conseguiu, na última sexta-feira (2), o número exato de 25 votos para aprovar a convocação.

Para atingir o quórum mínimo de maioria absoluta, o Palácio do Campo das Princesas contou com o apoio de dissidentes da oposição. Deputados do PT, como João Paulo e Doriel Barros, e do PL, como Joel da Harpa e Nino de Enoque, votaram com a gestão.

Divisão da Pauta e Mudança de Comando

Antes de Álvaro entrar de licença, o deputado dividiu o pacote de Raquel Lyra em dois trâmites:

  1. Direto para Comissões: Os projetos que autorizam empréstimos de R$ 5,2 bilhões (junto ao Banco do Brasil e Caixa para refinanciamento de dívidas) e ajustes em operações de crédito anteriores.

  2. Retidos na Procuradoria: As alterações na LOA 2026 (devido ao imbróglio judicial sobre os vetos) e o repasse de recursos do TJPE (cujo prazo legal expirou em 30 de dezembro).

A partir desta segunda-feira, Álvaro Porto se afasta para uma viagem ao exterior. A condução do período extraordinário ficará a cargo do primeiro vice-presidente, Rodrigo Farias (PSB), até o dia 22 de janeiro.