STF autoriza investigação de monitoramento da Polícia Civil de Raquel Lyra contra secretário de João Campos

Gilmar Mendes também mandou trancar inquérito do MPPE contra secretárias de João Campos. STF pede investigação de monitoramento

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 01/02/2026, às 10h07

Alessandro e Felipe sentados em mesa com logo do governo de pernambuco, ao fundo simbolo da sds
Em coletiva, SDS defendeu monitoramento para avaliar denúncia anônima - Cynara Maíra/ Jamildo.com

A Decisão: Gilmar Mendes (STF) autorizou a PF a investigar a Polícia Civil de PE por suposto monitoramento ilegal de aliados de João Campos.

O Trancamento: O ministro também mandou encerrar inquérito do Gaeco/MPPE contra três secretárias do Recife por desvio de finalidade.

A Justificativa: O STF vê indícios de "estrutura paralela de inteligência" e risco à neutralidade eleitoral.

O Monitoramento: A Polícia Civil vigiou o secretário Gustavo Monteiro após denúncia anônima. A SDS diz que a ação foi legal; a Prefeitura chama de "clandestina".

A Reação: O Governo do Estado e o MPPE afirmam que aguardam notificação e reiteram compromisso com a legalidade.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a investigar a atuação da Polícia Civil de Pernambuco.

A decisão na Petição nº 15.115 aponta indícios de monitoramento ilegal de agentes públicos ligados à Prefeitura do Recife. O magistrado também determinou o trancamento de um inquérito do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra três secretárias da gestão municipal.

A decisão atende a um pedido do PSB, partido do prefeito João Campos. O grupo alega como base a preservação da neutralidade do Estado em período pré-eleitoral.

Gilmar Mendes avaliou que os autos indicam a existência de uma suposta "estrutura paralela de inteligência" na Polícia Civil, utilizada para vigilância política sem autorização judicial.

Segundo o ministro, o monitoramento empregaria suposto uso tecnologias invasivas, como rastreamento veicular e reconhecimento facial, fora de inquéritos formais. Gilmar Mendes classificou o uso dessas ferramentas contra adversários políticos como uma violação aos direitos fundamentais e ao equilíbrio da disputa democrática.

"A tolerância institucional diante de fatos dessa magnitude comprometeria não apenas a autoridade das decisões do Supremo, mas também a credibilidade das regras que regem o jogo democrático", afirmou o ministro na decisão.

A Polícia Federal deverá apurar a eventual prática de crimes federais ou eleitorais, com foco na cadeia de comando da Polícia Civil e na legalidade das tecnologias utilizadas.

O Governo de Pernambuco informou, em nota, que ainda não foi notificado da decisão do STF, mas reafirmou o respeito às instituições e à legalidade das ações policiais.

O Ministério Público de Pernambuco também comunicou que não recebeu notificação oficial e que solicitou acesso aos autos do processo, que tramita em segredo de Justiça.

Trancamento de Inquérito do Gaeco

No mesmo despacho, Gilmar Mendes determinou o encerramento de um procedimento investigatório criminal conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPPE. A investigação mirava as secretárias Luciana Albuquerque (Saúde), Maíra Fischer (Finanças) e Adynara Gonçalves (executiva de Direitos Humanos).

O ministro concluiu que houve desvio de finalidade e violação ao princípio da neutralidade. As secretárias alegaram que a apuração, iniciada para verificar adesão a atas de registro de preços, tornou-se genérica e desproporcional, com quebras de sigilo sem autorização judicial.

Gilmar Mendes comunicou o caso ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para o órgão avaliar a conduta dos promotores envolvidos.

O Caso do Monitoramento

A crise entre o Governo do Estado e a Prefeitura do Recife escalou após a TV Record  revelarem, no dia 25 de janeiro, que a Polícia Civil monitorou o secretário de Articulação Política, Gustavo Monteiro, e seu irmão.

A Secretaria de Defesa Social (SDS) confirmou a operação, batizada de "Nova Missão". O secretário Alessandro Carvalho alegou que a ação verificava uma denúncia anônima de corrupção envolvendo um carro oficial da prefeitura. Segundo a SDS, a investigação preliminar não encontrou ilícitos e foi arquivada.

Raquel Lyra (PSD) defendeu a legalidade dos métodos. Em coletiva com a imprensa, a SDS defendeu o uso de rastreadores (tags) e vigilância em via pública, argumentando que tais práticas dispensam ordem judicial. A gestão atribuiu o vazamento das informações a um policial civil investigado por ligação com crime organizado.

Reação Política

O prefeito João Campos classificou o episódio como "ato criminoso" e comparou a ação aos métodos da ditadura militar. "Não cabe mais tempo de chumbo no Brasil. Foi feito um ato criminoso, uma investigação clandestina", declarou o gestor.

A governadora Raquel Lyra rebateu as críticas e afirmou que a polícia cumpriu seu papel de investigar uma "denúncia grave". "Ninguém está acima da lei. A gente precisa combater a corrupção e foi isso que a Polícia Civil fez", disse a governadora.