MPPE recomenda que UPE mude lei de cotas; entenda o que mudaria

Ministério Público pede que UPE mude sistema de lei de cotas no Sisu após um procedimento administrativo que passou pelo MPPE

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 09/01/2026, às 11h16 - Atualizado às 12h35

Imagem MPPE recomenda que UPE mude lei de cotas; entenda o que mudaria

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) emitiu uma recomendação para que a Universidade de Pernambuco (UPE) altere a regra que proíbe a participação de candidatos já graduados no sistema de cotas da instituição.

A 4ª Promotoria de Justiça de Serra Talhada expediu a orientação para revisar a política de ingresso a partir do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2026.

O documento questiona a atual Resolução CONSUN nº 006/2024, que impede o acesso de pessoas com diploma de nível superior às vagas reservadas. Para o MPPE, essa normativa atua como uma "barreira de entrada" ao direito à educação e à requalificação profissional.

Entenda o caso que gerou a recomendação

A intervenção do Ministério Público se originou em um procedimento administrativo instaurado após o Sisu 2025. Um candidato aprovado em primeiro lugar para uma vaga de cotas no curso de Medicina, no campus Serra Talhada, teve sua matrícula indeferida pela universidade.

A Promotoria constatou que o estudante atingiu nota superior à nota de corte e não houve empate que justificasse sua exclusão. O indeferimento ocorreu exclusivamente porque o candidato já tinha uma graduação anterior, conforme vedação prevista na norma interna da UPE.

O que muda com a proposta

O MPPE propõe substituir o sistema por critérios de prioridade. Pelo novo modelo sugerido, as vagas de iriam prioritariamente a candidatos que ainda não concluíram o ensino superior.

Candidatos cotistas que já têm diploma seriam convocados na ausência de candidatos sem graduação ou no caso de sobra de vagas remanescentes. O objetivo é preservar a função social da política afirmativa sem impor uma exclusão absoluta que viole direitos constitucionais.

Risco de judicialização e transparência

Na recomendação, o promotor de Justiça Carlênio Mário Lima Brandão alerta que a regra atual incentiva a judicialização dos concursos, gerando insegurança jurídica e custos desnecessários à administração pública.

Além da alteração na norma, o MPPE solicitou que a UPE reforce a publicidade das regras de ingresso. Entre as medidas sugeridas estão a inclusão de avisos em destaque no site institucional e a criação de um campo declaratório obrigatório nos formulários de pré-matrícula, onde o candidato informe previamente sua titulação.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do MPPE em 2 de dezembro de 2025 e encaminhada à Reitoria da UPE e à Comissão Permanente de Concursos Acadêmicos (CPCA).