Governadora destacou investimentos federais em Pernambuco após ministro do PT admitir possibilidade de Lula ter mais de um palanque no Estado
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 08/06/2026, às 14h29
Wellington Dias afirmou que Lula poderá ter dois palanques em Pernambuco.
Raquel Lyra evitou tratar de eleições e destacou parceria com o governo federal.
Governadora citou obras retomadas e investimentos do Novo PAC.
Debate sobre alianças para 2026 segue mobilizando PT, PSB e PSD no Estado.
A governadora Raquel Lyra (PSD) reforçou, nesta segunda-feira (8), a relação institucional mantida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após declarações do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, indicando a possibilidade de o petista contar com mais de um palanque em Pernambuco nas eleições de 2026.
A fala da governadora ocorreu durante a entrega de 40 novos ônibus para o sistema de transporte da Região Metropolitana do Recife. Questionada sobre as declarações do ministro, Raquel evitou tratar do cenário eleitoral e destacou a relação administrativa entre os governos estadual e federal.
“O que eu posso agradecer é a parceria que o presidente Lula tem feito por Pernambuco. Desde o primeiro momento em que fomos ao presidente, ele disse que iria ajudar nosso estado. E ele tem feito isso. Esses ônibus, mesmo, vêm de recursos do Novo PAC”, afirmou.
A gestora também citou a retomada de obras iniciadas em gestões anteriores e atribuiu os avanços à colaboração entre as duas esferas de governo. “A gente retomou obras de 2012, 2013 e 2014. E só foi possível pela decisão política de permitir que a gente pudesse fazer essas conclusões. A gente tem trabalhado muito junto, é importante a gente construir parcerias”, declarou.
Sem abordar diretamente o debate eleitoral, Raquel Lyra enfatizou que a relação construída com o governo federal tem sido pautada pela cooperação institucional. “Muitas vezes se entendia ou se divulgava que era impossível eu, no governo do Estado, estabelecer uma relação sólida com o governo federal e seus ministros. Eu posso garantir que existe confiança de ambos os lados. E estamos trabalhando muito para fazer entregas ao povo”, afirmou.
A governadora concluiu defendendo a continuidade da parceria entre os governos estadual e federal para viabilizar investimentos e acelerar obras em Pernambuco.
“Pernambuco tem pressa. E daí a necessidade de a gente ter que trabalhar cada vez mais juntos para permitir que obras e ações, sonhadas há muito tempo pela população, possam virar verdade na vida das pessoas”, finalizou a coletiva.
As declarações ocorrem após entrevista concedida por Wellington Dias ao jornal O Globo, publicada nesta segunda-feira. Coordenador político do PT para a região Nordeste, o ministro afirmou que a estratégia da campanha de reeleição de Lula prevê a formação de arranjos eleitorais flexíveis em alguns estados, incluindo Pernambuco.
Segundo ele, o partido deverá trabalhar com composições adaptadas às realidades locais, podendo apoiar mais de um palanque em estados considerados estratégicos. Ao comentar o cenário pernambucano, Wellington Dias lembrou a relação construída entre o governo federal e Raquel Lyra desde o início da atual gestão.
“Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela”, afirmou o ministro.
A possibilidade de Lula contar com dois palanques em Pernambuco vem sendo debatida nos bastidores desde o início do governo Raquel Lyra. Desde que assumiu o comando do Estado, a governadora intensificou a interlocução com o Palácio do Planalto e ampliou a participação de Pernambuco em programas federais, especialmente nas áreas de infraestrutura, mobilidade e habitação.
A aproximação ganhou força após a filiação de Raquel ao PSD, partido que integra a base de apoio do governo federal no Congresso Nacional e tem o ministro André de Paula como um articulador próximo a Lula e Raquel, podendo fazer uma ponte entre eles.
Embora a legenda tenha projeto próprio para a disputa presidencial, com Ronaldo Caiado, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, já afirmou que diretórios estaduais terão autonomia para definir posicionamentos de acordo com as realidades regionais.
No campo petista, o tema divide opiniões. Parlamentares como os deputados estaduais João Paulo e Doriel Barros defendem que Lula amplie ao máximo sua rede de apoios estaduais. A tese é apoiada por alguns prefeitos petistas no estado. Por outro lado, a maioria do PT pernambucano aprovou, em março deste ano, a manutenção da aliança com o PSB, legenda do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos.
Como presidente nacional do PSB, João é considerado um aliado estratégico do PT no cenário nacional. Nas últimas semanas, o socialista intensificou agendas ao lado de representantes do governo federal e tem buscado reforçar a vinculação política com o presidente Lula durante compromissos no interior do Estado.