Lula terá dois palanques em Pernambuco, afirma integrante de campanha de Lula em 2026

Em entrevista para jornal, o ministro Wellington Dias afirmou que Lula terá palanque duplo em Pernambuco com Raquel Lyra e João Campos

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 08/06/2026, às 08h57 - Atualizado às 09h41

Com roupas carnavalescas sorriem Raquel Lyra, Lula e João Campos. Ao fundo Maria Arraes e Luciana Santos
Ministro e coordenador de campanha de Lula no Nordeste alega que Lula terá palanque duplo com João Campos e Raquel Lyra - Reprodução TV Globo

Palanque Duplo Confirmado: O ministro do Desenvolvimento Social e coordenador da campanha de Lula, Wellington Dias (PT), garantiu que o presidente terá palanques com João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco.

Justificativa Estratégica: A coordenação nacional foca na aproximação com o centro político nas bases estaduais para assegurar a formação de uma maioria simples no Congresso em um eventual segundo mandato.

Histórico de Alianças: A articulação acompanha os gestos de aproximação entre Raquel Lyra e o Palácio do Planalto desde o início do mandato da governadora, movimento endossado por ministros como Rui Costa.

Racha no PT Local: Embora mais de 80% dos correligionários do PT-PE tenham aprovado a coligação oficial com o PSB de João Campos em março, deputados estaduais da legenda votam com o governo na Alepe e defendem a pulverização de palanques.

Cálculo de João Campos: O ex-prefeito do Recife tenta neutralizar o avanço da governadora vinculando sua imagem diretamente a Lula em agendas federais no interior, buscando reverter a vantagem numérica de Raquel apontada pelo Datafolha.

O Fator "Luquel": A migração do deputado federal Túlio Gadelha para o PSD atua como uma ferramenta para reter o eleitorado lulista que pretende votar na reeleição de Raquel Lyra, sob o aval de Gilberto Kassab para os diretórios nordestinos.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT), afirmou que Lula (PT) terá dois palanques em Pernambuco.

Em entrevista para o Jornal O Globo, divulgada nesta segunda-feira (08), Wellington Dias declarou que a coordenação da campanha de reeleição do petista estruturará arranjos múltiplos e palanques duplos em estados como Maranhão, Paraíba e Pernambuco.

Segundo o coordenador focado na região Nordeste, a estratégia prioriza a formação de alianças amplas com o centro político para ter uma maioria simples estável na Câmara e no Senado em um eventual segundo mandato.

Wellington foi perguntado diretamente sobre a situação em Pernambuco e confirmou que haverá palanque duplo no estado. "Vamos lembrar que ela [Raquel Lyra] se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte considerável do nosso time ficou com ela", afirmou o ministro piauiense. 

O ministro afirmou que organizará as composições das legendas em apoio a Lula a partir dos diretórios estaduais, em vez de "resolver por cima", a partir das posições nacionais. "Devemos organizar estado por estado, porque é lá que sabemos quem é governo e quem é oposição. É lá que estão colados com o eleitor". Essa posição poderia favorecer Raquel, já que nacionalmente o PSD terá candidato para presidente. 

O dilema do palanque duplo em Pernambuco tem sido debate desde o ano passado. Após Raquel Lyra se aproximar do presidente Lula desde o início de seu mandato como governadora, diversos nomes próximos ao petista passaram a defender uma maior aliança com Raquel. Especula-se que além de conseguir maiores recursos, a saída de Raquel do PSDB para o PSD seria uma forma de estar na base de Lula.

Próximo da gestora, o ex-ministro Chefe da Casa Civil Rui Costa (PT) chegou a dizer ano passado que a governadora seria uma aliada do governo.

Como o PSB é o apoio oficial do PT, em diversas alianças nacionais entre os partidos, a ideia do palanque duplo seria uma vantagem para Raquel, já que João que seria o nome mais óbvio para aliança.

Como presidente nacional do PSB, uma aliança de Lula com João é importante para o PT, já que é a legenda do vice-presidente Geraldo Alckmin e os partidos devem formalizar coligações em 13 palanques estaduais.

Alguns petistas, como os deputados estaduais João Paulo e Doriel Barros, votam com os governistas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e defendem a tese de que Lula deve subir no máximo de palanques possíveis para conseguir mais votos. Apesar de ter simpatizantes importantes no PT, mais de 80% dos correligionários de Pernambuco aprovaram o apoio da sigla a uma coligação com o PSB de João Campos durante a assembleia do PT-PE, em 28 de março.

Essa posição de palanque duplo traria desvantagem para João Campos, que quer utilizar a aliança com Lula como vantagem para campanha. Nas últimas semanas, o ex-prefeito tem acompanhado agendas federais em Pernambuco e já repassou recados do presidente para população.

Após uma visita ao presidente logo após a pesquisa Datafolha mostrar vantagem numérica para Raquel Lyra, João cumpriu agendas em Serra Talhada em que transmitiu uma mensagem de Lula que teria afirmado que ambos estariam andando juntos no estado. 

A entrada do deputado federal Túlio Gadelha no PSD de Raquel Lyra seria uma forma de reforçar esse vínculo com o eleitorado que apoia Lula no estado, mas que pretende votar em Raquel, o chamado voto "Luquel".

Apesar do PSD ter candidato para Presidência da República, o presidente do partido, Gilberto Kassab, já liberou diretórios estaduais, especialmente os do Nordeste, para defender Lula caso faça sentido para composição regional.