Após Porto assumir PSDB, prefeitos aliados de Raquel fazem desfiliação em massa

Cynara Maíra | Publicado em 03/04/2025, às 06h53

Raquel Lyra e Álvaro Porto são adversários políticos - 📸 Divulgação
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A decisão da Executiva Nacional do PSDB de intervir no diretório estadual de Pernambuco e entregar o comando da sigla ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Álvaro Porto, provocou uma reação imediata de aliados da governadora Raquel Lyra (PSD).

Em nota divulgada nesta quarta-feira (3), a vice-governadora Priscila Krause, o empresário Fred Loyo – até então presidente estadual do partido – e um grupo de prefeitos e prefeitas anunciaram a desfiliação em massa da legenda.

O movimento ocorre após a Executiva Nacional justificar a intervenção apontando “ingerência externa e desvio da política nacional do partido”, sem fornecer detalhes sobre quais atos motivaram a decisão.

Com liderança de Porto, aliados de Raquel se desfiliam de partido

A ideia dos aliados de Raquel era manter o PSDB na base da governadora para 2026 como mais um grupo de peso no estado.

Com Porto, que já teve diversos conflitos com Raquel e que apoiou João Campos (PSB) na eleição municipal de 2024, esses planos seriam dificultados.

No comunicado, os então líderes estaduais do PSDB classificaram a medida como um “episódio de violência política e desrespeito” que supostamente contrariam princípios históricos do partido.

A presidência estadual, que permaneceria sob o comando de Loyo até novembro de 2025, destacou que, sob sua gestão, a legenda cresceu de cinco para 32 prefeitos, além de contar com 33 vice-prefeitos, mais de 220 vereadores e presença em 90 municípios pernambucanos.

No entanto, diante da intervenção, o grupo optou pela saída. Veja lista dos políticos que decidiram pela desfiliação do PSDB:

Lista de políticos que anunciaram desfiliação do PSDB

Caso é reação política ao afastamento do PSDB de Raquel Lyra

Nos bastidores, a mudança marca o distanciamento entre Raquel Lyra e o PSDB, partido pelo qual se elegeu governadora, mas que deixou recentemente para se filiar ao PSD.

A nomeação de Álvaro Porto para liderar a sigla em Pernambuco altera a configuração política local, já que ele vinha manifestando insatisfação com a governadora e chegou a cogitar sua saída da legenda.

A decisão da Executiva Nacional também levanta a possibilidade de um alinhamento do PSDB com o prefeito do Recife, João Campos, principal adversário de Raquel para 2026.

Com a saída dos aliados da governadora da legenda, a sigla tende a seguir um caminho independente e potencialmente mais próximo da oposição ao governo estadual.

O caso também poderá facilitar uma Federação entre o PSDB e o Solidariedade, como sugeriu a ex-deputada federal Marília Arraes.

O movimento de desfiliação em bloco sinaliza a reorganização do grupo político de Raquel Lyra, que, mesmo após migrar para o PSD, manteve seus aliados no PSDB.

Não há como saber agora para onde irão os prefeitos até então filiados ao PSDB, mas se não irem para o PSD, a tendência é que esses nomes cheguem em siglas dispostas a se aproximar de Raquel, o que pode mudar ainda mais o cenário para 2026.

Desde o começo de 2025, a governadora tem se mobilizado para ampliar sua base.

Com novas nomeações, Raquel conseguiu fortalecer a parceria com o PP e o Podemos, além de captar o Avante, que anteriormente estava com João Campos.

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