Entra e sai do PSDB: enquanto aliados de Raquel se desfiliam, ex-líder do governo entra em comissão de Porto

Com saídas e mudanças de posturas, PSDB de Pernambuco continua em mobilização. Ex-líder do Governo Raquel compõe comissão interventora de Álvaro Porto

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 04/04/2025, às 11h12

Izaías Régis e Álvaro Porto - Reprodução
Izaías Régis e Álvaro Porto - Reprodução

A movimentação após Raquel Lyra se filiar ao PSD parece ter eclodido em Pernambuco nesta semana.

Depois que o diretório nacional do PSDB mudou a presidência da legenda em Pernambuco e concedeu a Álvaro Porto, adversário de Raquel Lyra dentro da sigla, o partido segue com mudanças nas alianças regionais.

Enquanto aliados da governadora decidiram por se desfiliar da sigla por discordar da suspensão da liderança mais próxima de Raquel, alguns antigos nomes alinhados com a gestora se aproximaram do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

A principal aproximação com o novo presidente do PSDB em Pernambuco foi do ex-líder do governo Raquel na Alepe, Izaiás Régis, que foi escolhido como um dos membros da Comissão Interventora do partido.

Nos bastidores, sua nomeação tem sido interpretada como uma articulação para garantir sua permanência no PSDB em meio ao realinhamento interno.

Régis deixou a liderança da base governista no começo de fevereiro de 2025, sendo substituído por Socorro Pimentel (União Brasil).

Confira os nomes escolhidos para Comissão Interventora no Estado:

  • Presidente: Álvaro Porto
  • Secretário: Pedro Henrique Rocha de Paiva
  • Tesoureiro: Felipe Porto Barros Wanderley Lima
  • Membros: Yasmim de Oliveira Barros, Gabriel Lopes Porto de Barros, Izaías Régis Neto e Álvaro Figueiredo Maia de Mendonça

Apesar de não garantir a fidelidade desses nomes até 2026, as indicações devem apresentar políticos mais alinhados com o posicionamento de Porto dentro do Partido.

Entenda movimentação no PSDB

A intervenção que colocou Álvaro Porto como líder do PSDB-PE foi oficializada após uma representação apresentada por Ana Maria Passos Leandro, ex-candidata a vereadora em Canhotinho, município governado por Sandra Paes (Republicanos), esposa de Porto.

O documento, acatado pelo presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, apontava supostas irregularidades na gestão anterior do partido em Pernambuco, incluindo acúmulo de cargos e o uso da propaganda partidária para promover a governadora Raquel Lyra, que migrou para o PSD.

A intervenção resultou na destituição da antiga direção estadual e na nomeação de uma nova comissão interventora, presidida pelo próprio Álvaro Porto.

Se de um lado a nova configuração fortalece Porto dentro do PSDB, de outro, o grupo de Raquel Lyra reagiu com uma onda de desfiliações.

Além de mais de 30 prefeitos e a vice-governadora do estado, Priscila Krause, o partido também perdeu vice-prefeitos e outras figuras da legenda, como o ex-prefeito de Petrolina e ex-deputado federal Guilherme Coelho, que comandava a sigla no município.

Em nota, Coelho atribuiu sua decisão ao desacordo com as diretrizes adotadas pelo Diretório Nacional.

A expectativa é que outras lideranças ligadas à governadora sigam o mesmo caminho, deixando a legenda nas mãos do novo grupo dirigente.

O embate escancarou o desgaste entre Raquel Lyra e a cúpula nacional tucana.

A direção do partido via com desconfiança a influência da governadora sobre o PSDB estadual, especialmente após sua mudança para o PSD e a tentativa de manter o controle da sigla em Pernambuco.

A filiação da vice-governadora Priscila Krause, aliada de Raquel, foi considerado como uma forma de manter o PSDB nas mãos da governadora.

No plano político, o desfecho do embate impacta diretamente as articulações para 2026 e deve dificultar ainda mais as relações entre Raquel e o presidente da Alepe.

Nesse sentido, diversas ações dos deputados estaduais já tem monitorado atentamente o Governo Raquel, como por exemplo a indagação sobre a operação de crédito de ==R$ 1,5 bilhão==.

Álvaro Porto, agora à frente do PSDB estadual, pode se tornar um aliado estratégico para João Campos (PSB) em uma eventual disputa majoritária.

No entanto, a depender da linha que seguir em relação ao governo Lula, pode enfrentar resistência dentro da base do prefeito do Recife.