Câmara do Recife aprovou redução de impostos das casas de apostas, famosas "bets". Ação está vinculada com entendimento da Prefeitura do Recife
por Cynara Maíra
Publicado em 03/04/2025, às 12h19
A Câmara Municipal do Recife aprovou, na segunda-feira (1º), a redução da alíquota do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para casas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”.
Com isso, o tributo, que antes era de 5%, deve ser reduzido para 2%.
A decisão foi tomada com base no Projeto de Lei do Executivo nº 02/2025, que altera o Código Tributário do Recife (Lei nº 15.563/1991).
Além das apostas esportivas, a nova regra abrange a distribuição e venda de bilhetes de loteria, bingos, cartões, cupons de apostas, prêmios e títulos de capitalização.
Vinda da base governista, a Prefeitura argumenta que a medida tem o objetivo de evitar que essas empresas transfiram suas operações para cidades vizinhas com carga tributária menor.
Além desse tópico, o líder do governo na Câmara, Samuel Salazar (MDB), defendeu a aprovação do projeto ao afirmar que a manutenção das apostas no Recife garante arrecadação para o município.
“Essas empresas já são taxadas em 2%, mas quando estão sediadas nos bairros do Recife Antigo, Santo Antônio e São José. Se não adequarmos a alíquota, elas podem buscar outros municípios", explicou.
A vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) também usou o argumento da arrecadação ao citar que o imposto recolhido das bets pode ser revertido em investimentos sociais.
Já Eriberto Rafael (PSB) apontou a geração de empregos como um dos efeitos positivos da medida.
Apesar da justificativa do governo municipal, a proposta gerou críticas entre os vereadores. Kari Santos (PT), por exemplo, utilizou seu espaço na Plenária para opinar sobre possíveis impactos sociais na ampliação desse setor.
“Não queremos trabalhadores endividados. O modo petista de governar é pela defesa do trabalhador, pela valorização do seu trabalho e pela dignidade da sua vida”, afirmou.
A parlamentar também sugeriu que a redução de impostos fosse concedida a empresas que adotassem jornada de trabalho reduzida, sem diminuição de salários. A proposta não avançou.
Grande parte dos parlamentares de direita seguiram o entendimento de que cabe ao município fazer com a implementação de empresas de apostas seja o mais benéfica possível para população, já que foi regulamentada em âmbito Federal.
A partir desse direcionamento, o vereador Eduardo Moura (Novo), sugeriu que as empresas beneficiadas destinassem 3% da receita bruta anual a programas de prevenção e tratamento do vício em jogos.
Enquanto isso, Thiago Medina (PL), solicitou que 45% dos funcionários contratados fossem recifenses.
Ambas as propostas não passaram.
Gilson Filho (PL) aproveitou a discussão para defender que a diminuição da alíquota fosse estendida a outros setores.
"Se baixarmos impostos para mais setores, as empresas poderão pagar melhores salários, contratar mais gente e investir", argumentou.