Após polêmica com Eduardo Moura em policlínica, Câmara do Recife debate limites de fiscalização

Após fiscalização de Eduardo Moura em policlínica, Câmara do Recife debateu limites que vereadores poderão atuar

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 25/03/2025, às 07h01 - Atualizado às 09h13

Câmara discutiu tema na segunda (24) - Câmara do Recife
Câmara discutiu tema na segunda (24) - Câmara do Recife

Câmara Municipal do Recife promoveu, na segunda-feira (24), uma audiência pública para discutir os limites da fiscalização política em unidades de saúde.

O debate, proposto pelo vereador Tadeu Calheiros (MDB), ocorreu após a repercussão de uma fiscalização conduzida pelo vereador Eduardo Moura (Novo) na Policlínica Barros Lima, que gerou reações de entidades de classe e sindicatos.

O evento reuniu parlamentares, profissionais de saúde, representantes do Ministério Público e conselhos profissionais.

O objetivo do encontro foi estabelecer regras claras para que as fiscalizações de vereadores não prejudiquem a privacidade dos pacientes e o trabalho de profissionais de saúde.

A iniciativa de Calheiros teve como objetivo discutir a necessidade de regras claras para que fiscalizações não comprometam a privacidade de pacientes e o trabalho dos profissionais de saúde.

Entre os participantes da audiência, estavam lideranças do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Pernambuco (SEEPE) e da Ordem dos Advogados do Brasil no estado (OAB-PE).

O Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) também participaram da audiência.

Tanto o sindicato dos enfermeiros quanto dos médicos defenderam que os políticos devem seguir protocolos institucionais.

A presidente do Simepe, Ana Carolina Tabosa, inclusive, citou uma decisão judicial do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro que restringe gravações sem justificativa e proíbe exposição de profissionais e pacientes. O sindicato defendeu que as fiscalizações sejam feitas de forma colegiada, por comissões legislativas, e que obedeçam a protocolos institucionais.

A presidente do SEEPE, Ludmilla Outtes, enfatizou que os servidores públicos devem ser respeitados. “Nós somos seres humanos e temos nossos direitos trabalhistas. Nenhuma entidade de classe é contrária à fiscalização, mas isso deve ser feito de forma respeitosa”, afirmou.

Ao final da audiência, Tadeu Calheiros anunciou que encaminhará uma proposta de regulamentação da fiscalização em serviços de saúde, ouvindo entidades e instituições para elaborar um projeto de lei que estabeleça protocolos claros e evite conflitos.

Moura, por sua vez, reagiu nas redes sociais, classificando a audiência como uma tentativa de “limitar” a fiscalização e pediu para população a pressionar para que o debate não resulte em restrições ao papel dos vereadores.

Antecedentes e repercussão

A polêmica teve início no dia 16 de março, quando Eduardo Moura realizou uma fiscalização na Policlínica Barros Lima.

Com a alegação de que a unidade de saúde estaria com irregularidades, o vereador fez uma transmissão ao vivo em suas redes sociais no qual questionou a ausência de médicos, denunciou supostas falhas no registro de ponto dos profissionais e criticou a falta de transparência na divulgação das escalas médicas.

Após o caso, Moura entrou em conflito com o Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que classificou a postura do vereador como “abusiva e desrespeitosa”, acusando o parlamentar de expor médicos e demais servidores da unidade de maneira irresponsável.

Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco (SEEPE) também emitiu nota de repúdio, apontando uma conduta “arrogante e misógina”, alegando que Moura teria atacado enfermeiras de plantão de forma indevida.

Nas redes sociais, o vereador defendeu sua atuação, afirmando que a fiscalização foi conduzida de forma adequada e que sua intenção era denunciar as condições precárias da unidade.

A live da fiscalização está posta e é possível ver como tratei todos os profissionais [...] A saúde do Recife caiu 84 posições por conta da mortalidade por causas evitáveis. Não sou inimigo dos profissionais de saúde, sou inimigo das condições precárias e dos salários baixos”, afirmou.