Com indefinição de Raquel sobre 2º nome ao Senado, PP quer Eduardo da Fonte em vez de Miguel

Após rumores de tensão entre Raquel Lyra e Eduardo da Fonte que levaram a exonerações, PP se mobiliza em defesa de candidatura de Dudu ao Senado

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 20/04/2026, às 09h28 - Atualizado às 10h13

Antonio Coelho, Eduardo da Fonte, Miguel Coelho, Lula da Fonte e Fernando Filho
Antonio Coelho, Eduardo da Fonte, Miguel Coelho, Lula da Fonte e Fernando Filho

Após o ex-prefeito João Campos (PSB) viver tensões para escolher seus candidatos ao Senado, a governadora Raquel Lyra (PSD) está em situação semelhante. Sem ter definido sua composição para eleição de 2026, disputam diversos nomes 

O único nome que Raquel já se posicionou explicitamente como certo para o Senado seria o do deputado federal Túlio Gadelha (PSD), que mudou de partido e arriscaria sua candidatura na Câmara para reforçar a base lulista que deseja apoiar a governadora em 2026.

Miguel se mobilizou, mas PP quer Dudu no Senado

O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB) mudou da base de João Campos para Raquel Lyra no começo de março e se coloca como pré-candidato. Apesar disso, a liderança do deputado Eduardo da Fonte (PP) na federação União Progressista em Pernambuco colocaria grande poder no nome de Dudu para o Senado. 

A principal questão seria as tensões que ocorreram ao longo de março, quando repercutiu a possibilidade de que Eduardo estaria articulando endosso ao nome de João Campos.

Após as especulações, Raquel exonerou diversos indicados do PP de sua gestão. A saída da federação da base governista na Alepe também gerou questionamentos sobre a fidelidade do grupo de Da Fonte ao lado da governadora. 

Apesar dessas tensões, diversos políticos do PP já declararam apoio ao nome do líder estadual, como forma de pressionar pela decisão de Raquel em detrimento de Miguel Coelho. Diversos políticos divulgaram notas em defesa do nome de Dudu, como o próprio ex-secretário de Turismo de Pernambuco Kaio Maniçoba (PP) e o deputado Adalto Santos (PP)

Na semana passada, o filho de Eduardo, o deputado federal Lula da Fonte (PP) acompanhou a gestora em agendas pelo estado e teceu elogios para governadora. 

A pesquisa Datafolha de quinta-feira passada (16) também teria empolgado a base de Dudu. O político ficou 17% das intenções de voto em dois dos quatro cenários. Apesar disso, no cenário com Miguel Coelho o ex-prefeito fica em situação semelhante, com 16%.

Escolher um dos nomes da federação seria uma forma de garantir equilíbrio no tempo de TV contra João Campos, já que o União Progressista tem mais de 20% de todo tempo

Eduardo da Fonte tem mantido a lógica pragmática ao afirmar que pode tanto apoiar ninguém, lançar candidato próprio, quanto endossar Raquel ou João. O presidente estadual da federação afirmou que a decisão só deve ocorrer durante as convenções partidárias. A ideia é aguardar uma garantia de vaga na chapa de Raquel para expressar apoio. 

Veja os principais pretendentes para chapa de Raquel ao Senado: 

  • O senador Fernando Dueire, que migrou ao PSD, tem uma base de prefeituras, mas é pouco conhecido entre o eleitorado. Em todas as agendas com Raquel está ao lado da gestora. Alguns indicam que poderia ser o vice da gestora
  • Mendonça Filho, que se filiou ao PL, mas mantém indicativo de apoio ao nome da gestora e é um aliado histórico da gestora. O impasse seria com o partido, que até o momento pretende ficar independente. 
  • Túlio Gadelha, foi para o PSD e é o nome que já se anunciou como nome ao Senado de Raquel, seria a vaga certa e um representante à esquerda para garantir parte do eleitorado lulista apesar do apoio oficial do PT a João Campos
  • Miguel Coelho, declarou apoio para Raquel Lyra novamente em março e tem colado na governadora em defesa de seu nome
  • Eduardo da Fonte, apesar de ter mantido aliança com Raquel desde 2023, rumores de negociações com João Campos geraram tensões. É o presidente estadual da federação o que aumentaria seu poder de decisão