Para a Polícia Federal, Arthur Valença de Luna é um dos oito suspeitos de integrar um esquema milionário de rachadinhas em gabinetes da Alepe
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 20/04/2026, às 08h53 - Atualizado às 09h02
Assessor da deputada Gleide Ângelo, Arthur Valença de Luna, é exonerado após ser alvo da Operação Draft.
Investigação aponta suspeita de participação em esquema de rachadinhas na Alepe.
Deputada solicitou desligamento e afirmou colaborar com as autoridades.
Esquema teria desviado ao menos R$ 2,8 milhões, podendo chegar a R$ 6 milhões.
Inquérito envolve ex-deputados e mais de 30 pessoas, incluindo suspeita de funcionários fantasmas.
Após ser apontado como suspeito na Operação Draft, da Polícia Federal (PF), e ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão, o até então assessor da deputada estadual Gleide Ângelo (PP), Arthur Valença de Luna, foi exonerado na sexta-feira (17).
O ex-funcionário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) é suspeito de integrar o esquema milionário de rachadinhas no parlamento estadual.
Gleide Ângelo havia solicitado o desligamento do funcionário ainda na quinta-feira (16).
"A deputada delegada Gleide Ângelo tem uma trajetória pública marcada pela defesa da legalidade e pela atuação firme em favor da ética no serviço público. Por isso, reafirma sua total disposição em colaborar com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, dentro do devido processo legal”, diz a nota enviada pelo gabinete.
De acordo com a investigação da PF, o esquema era chefiado por oito integrantes, dos quais dois dos principais suspeitos são os ex-deputados estaduais Leonardo Dias e Romário Dias. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na semana passada.
Até a semana passada, Leonardo era secretário executivo de Micro e Pequena Empresa e Fomento ao Empreendedorismo do Governo de Pernambuco, mas foi exonerado após a ação policial.
O levantamento da corporação estima um desvio de R$ 2,8 milhões entre 2015 e 2019. Porém, a PF não descarta a possibilidade de o crime ter perdurado até o ano de 2024, o que elevaria o valor para R$ 6 milhões.
Além dos líderes da composição criminosa, o inquérito da PF aponta para a participação de mais 30 pessoas. Os funcionários fantasmas recebiam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil mensais e devolviam a maior parte dos valores, ficando apenas com R$ 300.
A operação foi iniciada em dezembro de 2023, após o Ministério Público Federal compartilhar provas sobre desvios de recursos para requalificação da BR-101.