Pai do ex-deputado, Romário Dias, também é alvo da investigação da Polícia Civil de Pernambuco; Romário já foi presidente da Alepe e do TCE
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 16/04/2026, às 07h37
A governadora Raquel Lyra exonerou o ex-deputado Leonardo Machado Dias Pereira do cargo de secretário executivo, após ele se tornar alvo de investigação da Polícia Civil.
Leonardo é investigado na Operação Draft, que apura um suposto esquema de “rachadinha” e uso de funcionários fantasmas na Alepe entre 2015 e 2019.
A polícia cumpriu oito mandados de busca e apreensão no Grande Recife e encontrou com o ex-secretário itens como arma com porte vencido, munições, dinheiro em moeda estrangeira e barras de prata.
As investigações indicam um desvio estimado em R$ 2,8 milhões, podendo chegar a R$ 6 milhões caso o esquema tenha continuado até 2024, com participação de mais de 30 pessoas.
Segundo a PCPE, o grupo funcionava com líderes políticos, operadores financeiros e executores, e os supostos “funcionários fantasmas” devolviam quase todo o salário, ficando com cerca de R$ 300.
A governadora Raquel Lyra (PSD) exonerou o ex-deputado estadual Leonardo Machado Dias Pereira do cargo de secretário executivo de Micro e Pequena Empresa e Fomento ao Empreendedorismo.
O ex-parlamentar é alvo da investigação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) sobre um esquema de desvio milionário em gabinetes da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) entre 2015 e 2019.
A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (16).
Leonardo é alvo da Operação Draft, que apura possíveis rachadinhas e funcionários fantasmas em seu gabinete, na Alepe. A PCPE também investiga o envolvimento do ex-parlamentar Romário Dias (pai de Leonardo), ex-presidente da Assembleia e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Na quarta-feira (15), a corporação cumpriu oito mandados de busca e apreensão, em endereços em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes.
Segundo as investigações da polícia, o núcleo da operação era composto por lideranças políticas, operadores financeiros e executores responsáveis pela logística dos saques e repasses. “Verificou-se que o núcleo que operava o desvio era composto por oito membros, incluindo dois líderes políticos, operadores financeiros e operadores materiais”, disse o delegado Juliano Ferronato, da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado.
Entre os itens que estavam com o ex-secretário executivo, foram encontrados uma pistola .380, com porte vencido; munições; celular; e documentos. Havia também duas barras de prata, avaliadas em cerca de R$ 100 mil, e cédulas em moeda estrangeira que somam aproximadamente R$ 120 mil.
A Polícia Civil estima um desvio de R$ 2,8 milhões, entre 2015 e 2019. Porém, a corporação também trabalha com a hipótese de o esquema ter manipulado irregularmente aproximadamente R$ 6 milhões, caso a prática tenha se estendido até 2024.
O inquérito aponta que mais de 30 pessoas nomeadas no gabinete participariam do esquema. Os salários variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil mensais, mas, segundo a investigação, a maior parte dos valores era devolvida. “Tratava-se de um gabinete do crime para desvio de verbas públicas. Os funcionários fantasmas tinham que devolver quase a totalidade dos salários. Eles ficavam apenas com R$ 300”, afirmou.
A investigação também identificou a atuação de um operador financeiro que fazia a intermediação entre os líderes e os executores do esquema. “Para que o esquema fosse alimentado, havia um operador financeiro que movimentou valores extremamente relevantes, cerca de R$ 200 mil a R$ 2 milhões. Ele era o elo entre as lideranças e os executores materiais do esquema: escolhia as pessoas, cobrava, por vezes exigia [o dinheiro]”, declarou Ferronato.
As apurações iniciaram em dezembro de 2023, a partir do compartilhamento de provas de uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal sobre desvios em obras de requalificação da BR-101, no Grande Recife.