da Fonte indicou que as possibilidades sobre a eleição de 2026 estão abertas na federação, tanto de independência como apoio a João Campos ou Raquel Lyra
por Cynara Maíra
Publicado em 14/04/2026, às 09h10 - Atualizado às 09h48
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP), presidente da Federação União Progressista em Pernambuco, subiu o tom contra a articulação política do governo estadual, na figura do secretário da Casa Civil de Raquel Lyra (PSD), Túlio Vilaça. Além da declaração, o político evitou antecipar a posição do grupo na eleição de 2026 e afirmou que ainda há chances de candidatura própria do UP.
Em entrevista à Rádio Jornal a segunda-feira (13), o parlamentar afirmou que o grupo não aceitará um papel de submissão nas decisões da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Da Fonte criticou Túlio Vilaça, e declarou que o gestor perdeu as condições de continuar à frente da articulação com o Legislativo.
As falas críticas à articulação política da governadora ocorrem logo após a federação União Progressista (UB + PP) anunciar saída da bancada governista na Alepe para entrar como independente.
Os mais próximos de Raquel na federação argumentam que a decisão é apenas uma mudança administrativa para conquistar mais vagas nas comissões, mas o caso ocorreu depois da retirada do governo de um dos últimos nomes indicados por da Fonte.
Sobre o tema, o presidente da federação afirmou que continua junto à gestão, mas avaliando individualmente as pautas. "Nós somos aliados, mas não somos subservientes. Vamos tratar as votações tema a tema, com muita responsabilidade e cautela", afirmou o deputado.
A nova configuração garante à federação o direito de ocupar duas cadeiras na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCJ). Eduardo da Fonte ressaltou que o grupo exercerá essas posições para garantir o cumprimento do regimento da Casa e evitar episódios de desorganização nas pautas de votação.
Sobre as articulações para o pleito de 2026, Eduardo da Fonte manteve o suspense e evitou antecipar o calendário eleitoral. Ele afirmou que a decisão passará por um processo de escuta com mais de 330 vereadores, prefeitos e parlamentares da federação.
O deputado sinalizou que todas as opções estão sob análise para a data das convenções, em 5 de agosto.
"A federação tem várias alternativas para fazer esse encaminhamento e uma delas é lançar uma candidatura própria ao governo do estado ou não apoiar nenhum candidato a governador, como também podemos apoiar Raquel Lyra, como podemos também apoiar João", declarou Da Fonte.
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A federação coloca na mesa o maior tempo de TV do país, com 20,78% do total para blocos nacionais. Uma migração desse tempo para o palanque de João Campos (PSB) poderia gerar um desequilíbrio na propaganda eleitoral contra a governadora Raquel Lyra (PSD).
A relação entre o grupo de Eduardo da Fonte e o Palácio do Campo das Princesas se desgastou após a exoneração de indicados do PP em órgãos como Ceasa, Porto do Recife e Lafepe. Interlocutores interpretaram as trocas como uma retaliação do governo após rumores de aproximação de Da Fonte com o palanque socialista.
Apesar das críticas à articulação de Túlio Vilaça, aliados do deputado indicam que ele ainda tem interesse na vaga para o Senado na chapa majoritária.
O parlamentar, no entanto, reforçou que o foco atual é a organização da bancada estadual e as entregas de seu mandato federal.
Na mesma entrevista, ele também comentou a possibilidade de a deputada federal Clarissa Tércio (PP) ser indicada para a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro, afirmando que a parlamentar tem total apoio do partido para essa posição.