Governadora afirma que modelo mantém Compesa pública e prevê investimentos privados para acelerar obras; João Campos critica dados e sinaliza revisão
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 18/04/2026, às 08h55
Raquel Lyra rebate críticas de João Campos sobre concessão da Compesa
Governadora defende parceria privada para viabilizar R$ 30 bilhões em investimentos
Prefeito do Recife aponta inconsistências e admite revisar projeto
Debate sobre saneamento ganha centralidade na disputa política estadual
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), respondeu na sexta-feira (17) às críticas feitas pelo pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), sobre o projeto de concessão de serviços da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa).
Durante agenda em Palmares, na Mata Sul, a gestora afirmou que a parceria com a iniciativa privada é necessária para viabilizar investimentos estimados em mais de R$ 30 bilhões na área de abastecimento de água e saneamento. Segundo ela, o modelo busca acelerar obras e ampliar a cobertura dos serviços nos municípios pernambucanos.
Raquel destacou que a estrutura da Compesa será mantida sob controle público e que o formato proposto prevê divisão de responsabilidades. “A Compesa permanece pública. Esse sempre foi o meu compromisso. A gente vai entregar água e produzir para o privado, que vai assumir a distribuição com dinheiro dele e fazendo obras mais rápido que nós faríamos”, afirmou.
A governadora também mencionou que os estudos para a concessão foram iniciados antes de sua gestão e envolveram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Essa concessão foi feita pelo BNDES, que já tinha começado os estudos antes do nosso governo. Não tiveram coragem de fazer, eu tive. Foi desenhada pelo governo de Pernambuco, pelo presidente Lula, pelo Ministério da Casa Civil”, declarou.
Em outro momento, Raquel afirmou que o debate não deve ser condicionado à disputa política. “Os pernambucanos não podem esperar mais a briga política”, disse.
João Campos tem defendido a revisão do projeto caso seja eleito governador. Ele aponta inconsistências em dados utilizados no processo, especialmente em municípios que, segundo ele, aparecem como atendidos por serviços de saneamento quando não possuem cobertura efetiva. O prefeito também afirma que essas distorções podem impactar o valor das tarifas a serem cobradas.
Ao rebater as críticas, a governadora afirmou que o contrato foi elaborado com base em experiências nacionais de concessões no setor e que o Estado está reforçando a atuação da Agência Reguladora de Pernambuco (Arpe) para acompanhar a execução.
“Temos parceiros decentes. A concessão foi vencida por grandes empresas, com fundos de investimento nacional e internacional. Empresas inclusive que já tinham contrato em Pernambuco firmado ainda no governo Eduardo Campos, como a BRK. Aqui não se paga pedágio. O que queremos é serviço de qualidade e, quanto mais rápido forem feitos os investimentos, melhor”, afirmou.