Após STF trancar inquérito, MPPE diz que aguarda notificação para entender razões para suspensão de investigação da PCR

MPPE afirma que solicitou vistas do processo na sexta-feira, mas não obteve retorno. Órgão diz que apuração do Gaeco corre em segredo de justiça

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/02/2026, às 08h54 - Atualizado às 09h18

Um homem e uma mulher em pé de costas. Farda do homem está escrito "Gaeco polícia", da mulher está escrito "Gaeco MPPE". Ao fundo viatura da polícia militar. Está escuro
Gaeco do MPPE investigava secretárias da gestão João Campos - Gaeco/MPPE

A Posição do MPPE: O órgão diz que não foi notificado e não teve acesso à decisão de Gilmar Mendes que suspendeu as investigações.

O Argumento: O Ministério Público afirma que pediu vistas na sexta-feira (30) e que o caso corre em segredo de justiça na Vara local.

A Investigação: O Gaeco apurava irregularidades em atas de registro de preços e na nomeação de um procurador municipal na gestão João Campos.

As Alvas: A suspensão beneficia as secretárias Luciana Albuquerque, Maíra Fischer e Adynara Gonçalves.

O Contexto: A decisão do STF também mandou a PF investigar a Polícia Civil por suposto monitoramento ilegal de aliados do prefeito.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) divulgou uma nota no domingo (1) informando que ainda não teve acesso à decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O magistrado determinou o trancamento de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) contra secretárias da gestão do prefeito João Campos (PSB).

O órgão afirma que solicitou vistas da Petição nº 15.115 ao STF desde a manhã da sexta-feira (30), mas não obteve retorno até o momento. O MPPE também alega que não foi intimado oficialmente para prestar esclarecimentos sobre o caso ou recebeu cópia da decisão judicial.

"O MPPE aguarda o acesso aos autos processuais para ser cientificado e entender o contexto, fundamentos e disposições da mencionada decisão, sempre pautando sua conduta pela observância da legalidade estrita", diz a nota.

O Ministério Público argumentou que está impedido de comentar detalhes da investigação ou o mérito da decisão divulgada pela imprensa. Segundo a nota, o procedimento criminal e as medidas cautelares tramitam em segredo de justiça na Vara dos Crimes Contra a Administração Pública da Capital.

O Alvo das Investigações

A decisão de Gilmar Mendes suspendeu apurações que miravam três auxiliares diretas de João Campos: as secretárias Luciana Albuquerque (Saúde) e Maíra Fischer (Finanças), além da executiva Adynara Gonçalves (Direitos Humanos).

O Gaeco investigava supostas irregularidades na adesão do município a atas de registro de preços de consórcios intermunicipais.

Outro foco da apuração envolvia a nomeação de um procurador municipal. O servidor, aprovado na 63ª posição no concurso de 2022, apresentou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista no ano passado e foi nomeado na cota de pessoas com deficiência.

Após repercussão negativa e decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), a prefeitura recuou e nomeou o primeiro colocado original da lista PCD.

Decisão do STF

Gilmar Mendes atendeu a um pedido do PSB, que alegou risco à neutralidade do Estado em período pré-eleitoral. O ministro apontou suposto desvio de finalidade na apuração do Gaeco.

Segundo o magistrado, a investigação, iniciada para verificar atas de preços, tornou-se genérica e desproporcional, com quebras de sigilo sem autorização judicial.

No mesmo despacho, o ministro autorizou a Polícia Federal a investigar a atuação da Polícia Civil de Pernambuco. A decisão aponta indícios de monitoramento supostamente ilegal contra o secretário de Articulação Política do Recife, Gustavo Monteiro, e cita a existência de uma suposta "estrutura paralela de inteligência" para vigilância política.

O Governo de Raquel Lyra (PSD) informou que ainda não foi notificado da decisão, mas reafirmou o respeito à legalidade das ações policiais.