Para Raquel Lyra, fortalecimento do Polo de Confecções do Agreste passa por melhoria na comunicação e na geração de valor agregado a produtos
por Otávio Gaudêncio
Publicado em 26/05/2026, às 08h19
Raquel Lyra anunciou a criação de um Grupo de Trabalho para discutir medidas de apoio ao Polo de Confecções do Agreste.
O setor reage à MP do presidente Lula que zerou o imposto federal sobre importações de até US$ 50.
Segundo representantes do polo, cerca de 300 mil empregos são gerados pela cadeia têxtil em Pernambuco, com 14 mil estabelecimentos formais e informais.
O grupo deverá acompanhar debates no Congresso e apresentar soluções em até 30 dias, incluindo discussões sobre incentivos fiscais e qualificação profissional.
Prefeitos de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe defenderam igualdade tributária para manter a competitividade da produção local.
Após reunião com empresários, prefeitos, sindicatos e entidades ligadas ao Polo de Confecções do Agreste, na segunda-feira (25), a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou que vai criar um Grupo de Trabalho dedicado a acompanhar e definir ações para o setor.
O Polo de Confecções sentiu o impacto da assinatura da Medida Provisória n.º 1357/2026, do presidente Lula (PT), que zera o imposto federal para importações de até US$ 50. A ação do político ocorreu quase dois anos após ele sancionar o Projeto de Lei 14.902, de 2024, que criou a "Taxa das Blusinhas".
“Os pontos apresentados têm um caráter estratégico, para que a gente possa fortalecer o setor, ampliar a formação e qualificação profissional, além de trabalhar a divulgação da moda e design para todo o Brasil... O setor já abrange 92 municípios do nosso Estado, e já não é mais só do Agreste, mas de Pernambuco como um todo”, destacou a governadora Raquel Lyra.
Estimativas de representantes do setor mostram que cerca de 300 mil empregos são gerados diretamente pelo Polo de Confecções, sendo 14 estabelecimentos, formais e informais, produtores de confecção em Pernambuco.
"Há uma necessidade de uma agenda estratégica para permitir a manutenção dos empregos. Ninguém aqui é contra a redução de imposto do que é comprado fora", disse a gestora.
De acordo com a gestora, o Grupo de Trabalho deverá realizar o acompanhamento junto ao Congresso Nacional. A expectativa do Governo do Estado é de que soluções sejam apresentadas em torno de 30 dias.
Parlamentares federais aliados da governadora, como os deputados Eduardo da Fonte (PP), Lula da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL), já cobraram por medidas em Brasília.
“No momento em que surgiu a Medida Provisória, o governo [de Pernambuco], de imediato, articulou essa reunião para escutar as nossas reivindicações e dialogar com o setor", afirmou o presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), Pedro Miranda.
"O Polo de Confecções e as entidades empresariais defendem a isenção de tributos para a indústria nacional. Queremos que o produto seja produzido em Pernambuco, porque gera emprego, renda e desenvolvimento, não só para o Estado, mas também para o Brasil. Esse é um dos nossos principais pleitos”, reiterou Pedro Miranda.
Em entrevista à imprensa, Raquel Lyra destacou pontos estratégicos a serem trabalhados junto ao Governo Federal e ao Congresso:
“O que nós queremos é que o Polo de Confecções do Agreste tenha a mesma competitividade com as empresas que são do exterior, e o diálogo com o governo é fundamental para isso", disse Sérgio Colin (MDB), prefeito de Toritama, uma das principais cidades responsáveis pela produção do setor.
Gestor de outro município fundamental para o Polo de Confecções, o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão (PSD), afirmou que o setor está organizando reuniões com representantes do Poder Federal. Entre eles, o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
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