Vereadores criticam requerimento de Cida Pedrosa e debatem religião na Câmara dos Vereadores

Cynara Maíra | Publicado em 19/03/2025, às 10h29 - Atualizado às 11h43

Cida Pedrosa apresentou requerimento sobre voto de aplauso ao Movimento Brasil Laico - Guga Matos/ Câmara Municipal do Recife
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Normalmente aceitos pela maioria simples da Câmara dos Vereadores do Recife, um requerimento de voto de aplauso solicitado pela vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) foi recusado em sessão plenária na terça-feira (18) e gerou debate entre os políticos. 

O pedido da vereadora para a Câmara garantir um voto de aplauso para o Movimento Brasil Laico foi negado com 15 votos contra e nove favoráveis. Diversos políticos aproveitaram o espaço no plenário para se pronunciarem sobre o requerimento.

Durante seu momento na tribuna, Thiago Medina (PL) afirmou que o movimento seria "anticristão", ao dizer que as postagens nas redes sociais do grupo ridicularizavam práticas religiosas cristãs.

Eduardo Moura (Novo) e Tadeu Calheiros (MDB) também se posicionaram contra o requerimento, alegando que a entidade desvirtua o conceito de laicidade.

O vereador Alef Collins (PP) justificou seu voto contrário ao dizer que a instituto "faz um serviço contra os cristãos" e citou a posição do Movimento Brasil Laico contra os intervalos bíblicos nas escolas.

"O Estado Laico garante a liberdade de crença e de religião aquelas que tem e também quem não tem. Então um movimento que é contra os intervalos bíblicos, que aconteciam fora da grade curricular, não é a favor da laicidade. Me surpreende esse tipo de associação existir no Brasil. Não serei a favor de uma instituição como essa", disse o filho da ex-vereadora e missionária Michelle Collins (PP). 

Até mesmo o vereador, Luiz Eustáquio (PSB), de um partido aliado ao de Cida Pedrosa, criticou a proposta e citou que a organização "se envolve para ter um país sem Deus". 

Gilson Machado Filho (PL) e Gilberto Alves (PRD) também se manifestaram de maneira semelhante, apontando que a defesa do Estado laico não pode significar a marginalização do cristianismo.

Após a fala dos vereadores que se opuseram ao requerimento, Cida Pedrosa afirmou que era uma "comunista de sacristia" e defendeu o Movimento Brasil Laico.

"Eles lutam, na verdade, para que o Estado não fique do lado de uma única religião ou de religião nenhuma, porque o Estado, ele tem que ser isento de religiosidade para acolher todas as pessoas democraticamente, as que têm crença e as que não", afirmou a vereadora do PCdoB. 

Cida Pedrosa também argumentou que a proposta do movimento não era de combater a religião, mas sim de garantir que o Estado não favoreça nenhuma crença específica.

"Se tiver a imagem de Cristo, também poderia ter a imagem de orixás, ou não ter imagem alguma", exemplificou.

A vereadora Liana Cirne (PT) criticou os opositores do requerimento, afirmando que havia falta de conhecimento sobre o que significa laicidade. "É necessário ter mais conhecimento e menos convicção. Muitas vezes, quem tem muita convicção abre mão de estudar", criticou. 

O vereador Rinaldo Junior (PSB) também defendeu a iniciativa e rebateu declarações feitas durante a sessão. O líder do PSB na Câmara chegou a dizer que "Jesus foi um dos maiores comunistas que este mundo já teve. Ele só pregou uma coisa: o amor. É justamente o que falta à extrema-direita"

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