Lula abre vantagem sobre Flávio Bolsonaro em nova pesquisa Datafolha após escândalo do Master

Plantão Jamildo.com | Publicado em 22/05/2026, às 16h59

- Marcelo Camargo/Agência Brasil- Jefferson Rudy/Agência Senado
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A nova pesquisa Datafolha divulgada após a repercussão do caso “Banco Master” apontou crescimento da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto o parlamentar soma 31%.

No levantamento anterior, realizado antes da ampla repercussão do episódio envolvendo o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, os dois apareciam em situação de empate técnico dentro da margem de erro: Lula tinha 38% e Flávio, 35%.

A distância também aumentou em uma eventual simulação de segundo turno. Lula passou de 45% para 47%, enquanto Flávio caiu de 45% para 43%.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21). O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07489/2026.

Segundo o instituto, 64% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento da relação entre Flávio e Vorcaro. O mesmo percentual disse considerar inadequada a conduta do senador no episódio.

A controvérsia surgiu após a divulgação de informações pelo portal The Intercept sobre um pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o senador, o dinheiro seria destinado à produção de um filme sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

“Dark Horse”

Após a divulgação do episódio, Flávio Bolsonaro mudou versões sobre o contato com Vorcaro. Inicialmente, afirmou que as informações divulgadas eram falsas. Depois, admitiu ter solicitado os recursos para a produção do projeto audiovisual.

Posteriormente, reconheceu que poderia haver divulgação de novos conteúdos relacionados ao caso e confirmou ter se encontrado com Vorcaro após a saída do empresário da prisão.

O ex-banqueiro é o fundador do Banco Master, que entrou em processo de liquidação após investigações envolvendo emissão de títulos considerados irregulares e suspeitas sobre valorização de ativos. O caso é alvo de apurações da Polícia Federal e atinge também outras figuras políticas, como o senador e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira (PP).

Nomes da oposição

Mesmo com o desgaste, o Datafolha aponta que Flávio segue como principal nome da oposição ao presidente Lula. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, o petista aparece com 28%, enquanto o senador registra 17%.

No quesito rejeição, Lula e Flávio aparecem tecnicamente próximos. Segundo o instituto, 46% afirmam que não votariam de forma alguma no senador, enquanto 45% dizem o mesmo sobre o atual presidente.

Cogitada internamente no PL como alternativa eleitoral em caso de desistência de Flávio Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apresentou desempenho semelhante ao senador em um eventual segundo turno contra Lula.

Nesse cenário, o presidente aparece com 48%, enquanto Michelle registra 43%.

Já na simulação de primeiro turno, Lula lidera com 41%, seguido por Michelle, com 22%. O ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) aparece em terceiro lugar, com 6%.

Apesar das especulações, dirigentes do PL seguem defendendo que Michelle dispute uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.

A pesquisa também testou outros nomes da oposição. Ronaldo Caiado (PSD-GO) aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Romeu Zema soma 3%.

Em eventuais segundos turnos, Lula venceria ambos. Contra Caiado, o petista tem 48% ante 39% do governador goiano. Já diante de Zema, Lula também registra 48%, enquanto o mineiro aparece com 39%.

O levantamento mostra ainda que o perfil do eleitorado dos principais candidatos permanece semelhante ao observado em pesquisas anteriores. 

Lula mantém maior desempenho entre mulheres, eleitores de menor renda, nordestinos e católicos. Já Flávio Bolsonaro concentra apoio maior entre homens, evangélicos, eleitores do Sul e do Norte/Centro-Oeste e faixas de renda média e alta.

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