Flávio Bolsonaro admite contato com Vorcaro para financiar filme do pai e nega irregularidades

Senador confirmou contato com Daniel Vorcaro para financiar produção sobre Jair Bolsonaro e negou uso de recursos públicos

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 13/05/2026, às 18h32 - Atualizado às 19h32

Flávio Bolsonaro lê papel, ao redor diversos microfones de veículos de imprensa
Flávio Bolsonaro leu carta escrita em próprio punho por Jair Bolsonaro antes de cirurgia - Reprodução

Flávio Bolsonaro confirmou busca de patrocínio privado para filme

Reportagem apontou repasse milionário para produção sobre Jair Bolsonaro

Senador negou irregularidades e uso de dinheiro público

Parlamentar voltou a defender criação de CPI do Banco Master

O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) confirmou nesta quarta-feira (13) que procurou o banqueiro Daniel Vorcaro para buscar financiamento para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita após a divulgação de informações sobre o apoio financeiro ao longa-metragem “Dark Horse”, produção biográfica centrada na trajetória política do ex-chefe do Executivo.

Segundo reportagem publicada pelo portal The Intercept, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar o projeto cinematográfico. O conteúdo também aponta que as negociações envolveram contatos diretos com Flávio Bolsonaro e divulgou um áudio atribuído ao senador, gravado em setembro de 2025, no qual ele cobraria pagamentos atrasados relacionados à produção do filme.

Após a repercussão, Flávio divulgou nota pública na qual reconhece ter buscado apoio financeiro junto ao empresário, que está preso na PF pela ameaça ao jornalidta do O Globo Lauro Jardim, ocultação de patrimônio e pagamento de despesas vinculadas a atividades criminosas.

Foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet”, declarou o senador.

Na manifestação, Flávio Bolsonaro afirmou ter conhecido Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período posterior ao fim do governo Bolsonaro, e disse que, naquele momento, não havia acusações públicas envolvendo o banqueiro. Segundo ele, o contato foi retomado posteriormente em razão de atrasos no pagamento das parcelas de patrocínio destinadas à conclusão do longa.

O senador também negou ter oferecido vantagens em troca do financiamento ou intermediado qualquer tipo de negócio envolvendo o governo federal. “Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou.

Na mesma nota, Flávio voltou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master. O parlamentar argumentou que a investigação seria necessária para esclarecer as relações do banco com integrantes do governo federal.

Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes dos bandidos”, declarou.

O que dizia o áudio?

Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também. Essa confusão toda, você sem saber exatamente como foi caminhar isso tudo e, apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, da gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando”, começa o áudio Flávio Bolsonaro.

Na sequência, o senador reforça a tensão em torno da produção e cita preocupações com atrasos e pagamentos. “É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo muito tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme”, afirma.

Então, se você puder me dar um toque, uma posição aí, Daniel, porque a gente precisa saber o que fazer da vida, porque já tem muita conta para pagar esse mês e o mês seguinte também, e agora que é reta final a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos, porque se não a gente perde tudo”, finalizou o senador, num áudio de cerca de 1 minuto e 42 segundos.