Grupo de João Campos aproveitou apoio para conectar Raquel Lyra ao bolsonarismo, já que Clarissa Tércio é um nome forte no conservadorismo e bolsonarismo
por Cynara Maíra
Publicado em 12/05/2026, às 10h16 - Atualizado às 11h08
A deputada federal Clarissa Tércio (PP) foi uma das pessoas que discursaram nesta terça-feira (12) durante o lançamento de 2 mil novos policiais militares para atuação na Região Metropolitana do Recife (RMR).
Na fala, Clarissa lembrou que nasceu no Hospital da Polícia Militar, próximo ao local em que ocorria o evento, e que estudou no Colégio da Polícia Militar.
"Hoje poder estar aqui como uma representante do povo, deputada federal, e poder fazer parte dessa história onde nós temos uma governadora que realmente se importa com o povo de Pernambuco, investindo em segurança e colocando cada dia mais", declarou.
Filiada ao Progressistas, Clarissa Tércio não compareceu ao evento de apoio à governadora na sexta-feira (08), mas compensou no sábado (09) com elogios à gestora durante o anúncio da requalificação do Parque Dois Irmãos, no Recife.
"O povo de bem de Pernambuco está do teu lado. Não vai deixar a antiga gestão voltar aqui para o nosso Estado. A gente desamarrou e não vai se amarrar nunca mais. Raquel, a gente está com você orando. Os evangélicos estão com você, orando por você", disse a deputada federal.
Logo após as declarações, aliados do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) aproveitaram para criticar a governadora e colocá-la mais próxima do bolsonarismo, grupo que é minoria no estado. O último levantamento da Quaest indicou que, entre os 10 estados avaliados, Pernambuco é o local em que Lula tem maior aprovação e uma maior rejeição a Flávio Bolsonaro.
Em entrevista no PodJá- O Podcast do Jamildo, a senadora Teresa Leitão (PT) citou o apoio de Clarissa Tércio como um exemplo do grupo de conservadores que endossam o nome de Raquel. O encontro irá ao ar no sábado (16).
A rejeição de petistas e nomes mais à esquerda ao nome de Clarissa ocorre pela sua defesa de pautas conservadoras. Clarissa, por exemplo, foi uma das críticas da eleição de Erika Hilton (PSOL) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, dizendo ter dificuldade de se sentir representada por alguém que “nunca menstruou, nunca amamentou" e foi uma das manifestantes contra o aborto feito por uma menina de 10 anos estuprada.
Clarissa também já confirmou que existe a possibilidade de ser o nome para vice do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
A ideia do grupo de João Campos é vincular Raquel a nomes mais conservadores do PP, como Clarissa ou o Pastor Cleiton Collins (PP) para evitar o chamado "voto LuQuel", que poderia melhorar os índices da governadora na eleição, apesar do apoio oficial de Lula a João Campos.
Para manter essa lógica de neutralidade, Raquel colocou como um de seus pré-candidatos ao Senado o deputado federal Túlio Gadelha, que é próximo ao presidente Lula (PT).