PF prende Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, por descumprimento de cautelares

Condenado a 21 anos, Filipe Martins estava em prisão domiciliar e voltou à cadeia após acessar o LinkedIn. Defesa classifica como "vingança"

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/01/2026, às 09h47 - Atualizado às 10h15

Filipe Martins
Rosinei Coutinho/STF

Prisão: Filipe Martins foi preso pela PF nesta sexta-feira (2) em Ponta Grossa (PR) por ordem de Alexandre de Moraes.

Motivo: O ex-assessor descumpriu a prisão domiciliar ao acessar a rede social LinkedIn; um e-mail com o "print" do acesso alertou o STF.

Defesa: O advogado alega que o acesso foi feito pela equipe e chama a prisão de "vingança".

Contexto: Martins foi condenado a 21 anos de prisão em dezembro de 2025 por envolvimento na tentativa de golpe e elaboração da "minuta golpista".

Histórico: Ex-assessor é ligado à ala ideológica bolsonarista e já foi investigado por gesto racista no Senado.

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta sexta-feira (2), o ex-assessor especial da Presidência da República, Filipe Martins. A detenção ocorreu em Ponta Grossa, no Paraná, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Martins cumpria prisão domiciliar desde o dia 27 de dezembro de 2025. A volta ao regime fechado teria ocorrido pelo descumprimento de medidas cautelares impostas pela Corte. O ex-assessor estava proibido de utilizar redes sociais, mas teria acessado a plataforma LinkedIn.

O gabinete de Moraes teria recebido um e-mail com uma imagem comprovando que o perfil de Martins tinha visitado a página de outro usuário na rede profissional.

Na decisão, o magistrado destacou o desrespeito às ordens judiciais.

"Não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta. As evidências demonstram o desprezo pelas cautelares impostas e pelo próprio sistema judiciário", escreveu Moraes.

O ministro pontuou ainda que a própria defesa teria reconhecido, nos autos, a utilização da rede social.

Defesa alega "vingança"

O advogado de Martins, Jeffrey Chiquini, publicou um vídeo classificando a prisão como um ato de "vingança". Segundo a defesa, o ex-assessor cumpria as determinações há mais de 600 dias de forma exemplar.

Sobre o acesso ao LinkedIn, a tese dos advogados é de que o login teria sido realizado por um membro da equipe de Martins, e não pelo próprio condenado. Chiquini afirmou que o objetivo de Moraes seria "eliminar" o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados.

A Polícia encaminhou Filipe para uma prisão pública em Ponta Grossa. Ele ainda não cumpre a pena definitiva, pois os recursos sobre a sentença condenatória ainda estão disponíveis.

Condenação e papel na trama golpista

Filipe Martins foi condenado pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão no dia 16 de dezembro de 2025 após ser julgado culpado pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa.

Segundo as investigações da PF e da CPI do 8 de Janeiro, Martins foi o responsável por levar a chamada "minuta do golpe" ao então presidente Jair Bolsonaro. O documento previa a prisão de autoridades, como o próprio Alexandre de Moraes, e a convocação de novas eleições.

O ex-assessor teria recebido auxílio jurídico de um professor de direito para elaborar o texto. Bolsonaro, conforme a apuração, teria pedido alterações no documento entregue por Martins.

Perfil ideológico e polêmicas

Nascido em Sorocaba (SP) e formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), Filipe Martins integrou a chamada "ala ideológica" do governo anterior. Ele era próximo do escritor Olavo de Carvalho e dos filhos do ex-presidente.

Defensor do alinhamento automático com os Estados Unidos sob o comando de Donald Trump, Martins colecionou polêmicas durante sua passagem pelo Planalto. Como o uso de um gesto de mãos associado a um grupo de supremacistas brancos e a utilização de lemas como "Deus Vult" (Deus quer), expressão medieval apropriada pela extrema-direita global para defender a superioridade de grupos cristãos e brancos.