Oposição indica redução de R$ 1,5 bilhão em investimento e relata suposto colapso na saúde de Pernambuco

Bancada de oposição na Alepe apresentou uma coletiva de imprensa em que alegam uma redução de investimentos na saúde e citam até infestação de ratos

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 26/05/2026, às 13h10 - Atualizado às 13h59

Sentados em bancada da Alepe, Diogo Moraes, Rodrigo Novaes, Sileno Guedes e Eriberto Filho
Deputados do PSB fizeram coletiva de imprensa para apontar problemas na saúde de Pernambuco - Otávio Gaudêncio/Jamildo.com

Denúncia da Oposição: Deputados estaduais apontam colapso na saúde de Pernambuco, com cortes de R$ 1,5 bilhão no orçamento e perda de 226 leitos estaduais.

Inversão de Gastos: O relatório acusa o governo de gastar R$ 1,1 bilhão em publicidade e festas (sendo R$ 107 milhões em cachês), superando os R$ 900 milhões aplicados na saúde.

Leitos Fechados: Três hospitais foram desativados ou interditados para reforma (Bongi, Jesus Nazareno e Nossa Senhora Aparecida), gerando um déficit crônico de atendimento no Agreste e na RMR.

Laudo de Insalubridade: Um documento interno do sistema SEI da Secretaria de Saúde de 2026 comprova fezes e urina de ratos caindo sobre ventiladores pulmonares no Hospital Agamenon Magalhães.

Ações Legais: Os parlamentares enviarão o diagnóstico ao MPPE, TCE-PE e Cremepe para forçar medidas administrativas imediatas, descartando uma CPI neste primeiro momento.

Nesta terça-feira (26), mesmo dia em que a governadora Raquel Lyra (PSD) fará a inauguração do centro cirúrgico do Hospital Otávio de Freitas, deputados estaduais da oposição fizeram uma coletiva de imprensa para criticar a situação da saúde em Pernambuco após visitarem hospitais estaduais na segunda-feira (25). 

Segundo os deputados do PSB Sileno Guedes, Rodrigo Farias, Diogo Moraes e Eriberto Filho, a saúde de Pernambuco estaria em um suposto colapso de estrutura e assistência. Os políticos chegaram a afirmar que os grandes hospitais do estado estão em um "cenário de guerra".  As fotos e vídeos apresentados foram gravados nos hospitais Agamenon Magalhães, da Restauração, Otávio de Freitas e Getúlio Vargas. 

O relatório dos deputados aponta uma redução de aproximadamente R$ 1,5 bilhão nos investimentos destinados à saúde pública, uma redução de 3% após sair de 18% para cerca de 15%. Em fala sobre o tema, Diogo Moraes criticou a alocação de recursos pelo Palácio do Campo das Princesas, apontando uma inversão de prioridades na contabilidade estadual.

"Quando a gente vê os investimentos na saúde cair na ordem de 1,5 bilhão, em detrimento, por exemplo, de festas e propagandas em Pernambuco, que foram mais de 160 milhões a mais do gasto, ou seja, foi gasto 1 bilhão 100 milhões em festas e propagandas e na saúde pública foi gasto 900 milhões", detalhou Diogo Moraes. Do montante destinado a eventos, o governo estadual aplicou R$ 107 milhões exclusivamente no pagamento de cachês artísticos.

O grupo de deputados não pretende solicitar a abertura imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), mas sim encaminhar o relatório técnico das vorigens e as denúncias formais para o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e a própria Secretaria Estadual de Saúde para cobrar a abertura dos dados sobre o déficit de leitos e exigir soluções emergenciais.

Sobre as alegações dos parlamentares, o Jamildo.com procurou a Secretaria de Saúde de Pernambuco, quando houver um retorno essa matéria será atualizada. 

Entenda alegação dos deputados

A oposição alega que a rede própria de saúde de Pernambuco perdeu 226 leitos nos últimos três anos e meio. Os deputados apontam que o fechamento de três unidades teria agravado a superlotação nas emergências da Região Metropolitana e do interior.

Segundo o grupo, essa mudança ocorreria após as desativações do Hospital de Retaguarda do Bongi, que contava com 75 leitos de apoio ao Hospital da Restauração e do Hospital Jesus Nazareno, que realizava cerca de 700 partos mensais.

O grupo alega que a substituição da unidade em Caruaru gerou um déficit de 300 atendimentos no Agreste após a inauguração do Hospital da Mulher, cuja capacidade assistencial limita-se a 400 partos por mês.

Os parlamentares também questionam a situação do Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Paulista. O estado adquiriu a unidade particular por R$ 170 milhões há cerca de nove meses com o objetivo de desafogar os prontos-socorros, mas o hospital permanece fechado sob a justificativa de requalificação.

Rodrigo Farias criticou a falta de novas entregas estruturais, afirmando que a gestão atual não construiu novos hospitais ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Pernambuco. O terreno desapropriado para a construção do Novo Hospital Getúlio Vargas, por exemplo, conta apenas com tapumes há mais de dois anos, segundo ele, sem qualquer evolução nos trabalhos de engenharia.

O parlamentar acusou o estado de priorizar "reformas de fachada", gastando recursos para embelezar o exterior e a pintura de complexos como o Hospital da Restauração e o Hospital Agamenon Magalhães, enquanto o interior continuaria sucateado. Sileno Guedes leu um relatório que indicaria danos estruturais graves no Agamenon Magalhães. 

"Parece que virou o governo da fachada. O governo da fachada, né? Que cuida de fora e esquece quem tá dentro", declarou Rodrigo Farias.

A bancada de oposição também apresentou um documento do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), emitido pela própria Secretaria de Saúde em 23 de fevereiro de 2026, registrando uma infestação de ratos no Hospital Agamenon Magalhães. O texto documenta que fezes e urina de roedores caem do forro do teto diretamente sobre equipamentos de suporte à vida, como ventiladores pulmonares, cardioversores e bombas de infusão.

As vistorias também constataram que sete dos oito elevadores do Hospital Agamenon Magalhães estão quebrados. Os parlamentares relataram quartos escuros pela incapacidade da gerência em trocar lâmpadas, a necessidade de acompanhantes levarem ventiladores domésticos de casa e o improviso de um recipiente de álcool plástico para a coleta de exames de urina de um paciente.

"Salas que eram para ter cerca de 24 pacientes, a gente encontrava com mais de 50 pacientes na sala, pessoas se acomodando no chão do hospital, dormindo no chão do hospital com risco de contração de fungos ou outras doenças", relatou Sileno Guedes.