Deputados pernambucanos se defendem de críticas após apoio a emenda que adia debate da escala 6x1 para 2036

Emenda apoiada por cinco deputados pernambucanos prevê transição de dez anos para o fim da escala 6x1 e exceções para setores essenciais

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 21/05/2026, às 13h18

protesto
Feriado da proclamação foi marcado por protestos - Foto: Letycia Bond / Agência Brasil

Deputados pernambucanos apoiaram emenda sobre escala 6x1

Texto prevê transição de dez anos para mudança na jornada

Parlamentares reagiram após críticas nas redes sociais

Proposta também altera regras sobre FGTS e setores essenciais

Parlamentares pernambucanos de partidos do Centrão passaram a ser alvo de críticas nas redes sociais após assinarem uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê mudanças na escala de trabalho 6x1. O texto propõe uma regra de transição de dez anos para a eventual adoção do novo modelo e inclui alterações em pontos ligados ao FGTS, Previdência Social e categorias consideradas essenciais.

A reação ganhou força após líderes partidários apresentarem um requerimento ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, solicitando a retirada de tramitação da chamada emenda nº 1 da PEC. O documento foi assinado por líderes de Republicanos, MDB, PSD, Podemos, União Brasil, PP e Federação PSDB-Cidadania, bloco que soma 272 deputados.

Os parlamentares de Pernambuco que apoiaram a emenda estão Augusto Coutinho (Republicanos), Clarissa Tércio (PP), Pastor Eurico (PSDB), Fernando Filho (União Brasil) e Coronel Meira (PL).

O debate ocorre em meio à tramitação da PEC 221/2019, que discute o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho. O governo federal defende uma proposta sem redução salarial e sem regra de transição. Já o relator da matéria, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, trabalha com um modelo intermediário, prevendo adaptação gradual entre dois e quatro anos.

A emenda que reuniu apoio de parlamentares pernambucanos foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra. O texto estabelece que a mudança na escala só entraria em vigor dez anos após a promulgação da emenda constitucional.

Além disso, a proposta exclui trabalhadores de setores considerados essenciais da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. O texto define como essenciais atividades cuja interrupção possa comprometer áreas como saúde, segurança, abastecimento, mobilidade, ordem pública e infraestrutura crítica. A regulamentação dessas categorias ficaria para uma lei complementar.

Congresso Nacional

A proposta também prevê redução da contribuição patronal ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de 8% para 4%, além de isenção temporária da contribuição patronal à Previdência Social, atualmente fixada em 20% sobre os salários.

Segundo dados da tramitação da proposta, a lista de apoiadores da emenda reúne principalmente deputados do PL, PP, União Brasil, Republicanos e MDB.

Parlamentares reagem após críticas nas redes

Após a repercussão negativa nas redes sociais, parlamentares pernambucanos passaram a divulgar posicionamentos públicos sobre o tema.

Líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho afirmou que não votou contra o fim da escala 6x1 e disse ter assinado a emenda apenas para garantir a discussão da proposta.

SOU A FAVOR DO FIM DA ESCALA 6X1! Apenas assinei uma emenda — na qualidade de líder de meu partido — para que o assunto seja discutido na Câmara”, publicou. O deputado também criticou ataques recebidos nas redes sociais.

Augusto Coutinho

Tem gente que trabalha há mais de 30 anos pelo desenvolvimento de nosso País e tem gente que não faz nada pelo povo e só vive espalhando mentiras”, afirmou.

Pastor Eurico declarou que não participou de votação sobre o tema e ressaltou que a discussão ainda ocorre em comissão especial da Câmara, da qual não faz parte.

As pessoas estão acreditando que eu votei contra o trabalhador. Onde houve essa votação? A escala 6x1 está em uma comissão especial, da qual eu nem faço parte”, escreveu, apesar de não deixar claro o posicionamento sobre o fim da escala 6x1.

Segundo o parlamentar, o texto ainda será debatido antes de eventual votação em plenário. “Sempre tive uma postura correta com todos, e não aceitarei esse tipo de ataque baixo e sem escrúpulos. Eu desafio: provem que eu votei”, acrescentou.

O deputado Coronel Meira também se posicionou sobre o tema e afirmou defender a atual escala de trabalho. “Somos a favor da escala 6x1, mas queremos preservar os empregos. A gente tem que entender que precisa se preservar empregos”, declarou. Ele citou ainda a necessidade de flexibilização para mulheres e afirmou que a proposta deve buscar equilíbrio entre trabalhadores e empregadores.

Os deputados Fernando Filho e Clarissa Tércio não haviam se pronunciado publicamente sobre o tema até a publicação desta matéria.