TRE-PE mandou retirar publicações com declaração de Coronel Meira sobre Gilson Machado e pediu dados de perfis que divulgaram o conteúdo
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 10/03/2026, às 15h03
- Podemos acionou o TRE-PE após declaração de Coronel Meira sobre Gilson Machado.
- Justiça determinou retirada de cinco publicações com o conteúdo.
- Magistrada apontou possível propaganda eleitoral negativa.
- Deputado afirma que fala foi “força de expressão” no debate político.
A disputa interna no campo bolsonarista em Pernambuco chegou à Justiça Eleitoral após declarações do deputado federal Coronel Meira (PL) sobre o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, ex-PL e atualmente filiado ao Podemos. O partido acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) alegando propaganda eleitoral antecipada negativa e disseminação de desinformação.
A ação foi motivada por declarações públicas do parlamentar afirmando que Gilson Machado teria “vendido” o apoio político ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por mais de R$ 10 milhões. O conteúdo foi divulgado em cinco perfis de notícias independentes no Instagram, em publicações feitas no dia 24 de fevereiro.
As declarações ocorreram após o ex-ministro deixar o Partido Liberal em Pernambuco para ser pré-candidato à deputado federal por outra legenda. A saída ocorreu em meio a divergências com a direção estadual da legenda, liderada pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira, aliado de Meira.
No áudio divulgado nas redes sociais, o deputado criticou a mudança de partido e comparou a decisão do ex-ministro a uma traição política.
“Acho que ele tomou uma medida totalmente errada e chego até a dizer o seguinte: Judas vendeu Cristo por 30 moedas de ouro e hoje, na verdade, Gilson Machado vendeu Jair Messias Bolsonaro por mais de R$ 10 milhões”, afirmou Meira na gravação.
O parlamentar também afirmou que o Podemos seria um partido de esquerda e disse acreditar que a legenda elegeria no máximo três deputados federais nas eleições.
O Podemos argumentou na ação judicial que as declarações não apresentariam comprovação e que a divulgação utilizou mecanismos para ampliar o alcance nas redes sociais, como publicações colaborativas e conteúdos com apelo sensacionalista. Segundo o partido, os perfis envolvidos somam mais de 500 mil seguidores.

A desembargadora eleitoral Roberta Viana Jardim acolheu o pedido do Podemos e determinou a retirada das publicações. A decisão foi divulgada na manhã nesta terça-feira (10). Na avaliação da magistrada, a afirmação de que Gilson Machado teria recebido vantagem financeira para apoiar Bolsonaro ultrapassa o limite da crítica política e apresenta uma narrativa sem respaldo probatório.
Segundo a decisão, a declaração pode ser considerada potencialmente prejudicial à honra e à reputação do pré-candidato, ao sugerir envolvimento em conduta ilícita ou moralmente reprovável.
A desembargadora também apontou que a propaganda eleitoral antecipada pode ocorrer de forma negativa quando a manifestação ultrapassa os limites do debate político e atinge a imagem de um pré-candidato.
Com base nesse entendimento, o TRE-PE determinou que o Instagram remova as cinco publicações em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
A plataforma também foi intimada a fornecer, no prazo de cinco dias, os dados cadastrais e os registros de conexão dos responsáveis pelos perfis que divulgaram o conteúdo, referentes ao período entre 24 de fevereiro e 5 de março de 2026.
Até a publicação desta reportagem, os vídeos com o áudio do deputado ainda estavam disponíveis nas páginas que fizeram a divulgação.
Procurado pela reportagem, o deputado Coronel Meira reafirmou o que seu grupo está dizendo, liderado por Anderson Ferreira, em que Gilson Machado estaria traindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao migrar para um partido de centro.
“Gilson é o principal nome do bolsonarismo em Pernambuco. Foi ministro de Bolsonaro e vai levar voto conservador para um partido que pretende eleger lulistas”, afirmou, ao comentar a filiação do ex-ministro ao Podemos.
O parlamentar também disse que a referência ao valor de R$ 10 milhões foi utilizada como forma de expressão no debate político. “Não estava falando de quantitativo expresso”, afirmou.
A assessoria jurídica do deputado informou que recebeu a decisão da Justiça Eleitoral com tranquilidade. Segundo a defesa, a determinação judicial foi direcionada à plataforma digital responsável pelas publicações e não impõe obrigação direta ao parlamentar.
Os advogados afirmaram ainda que nenhuma das postagens citadas na ação foi realizada em perfis oficiais de Coronel Meira. De acordo com a defesa, a menção ao valor citado na fala do deputado não teria caráter técnico, mas estaria inserida no contexto de manifestação política no debate público.
Os advogados também afirmaram que a declaração teve o objetivo de questionar os motivos que levaram Gilson Machado a deixar o Partido Liberal. A defesa declarou que pretende demonstrar no decorrer do processo que a manifestação do parlamentar está amparada pela liberdade de expressão e pelo direito ao debate político.