Após tensões, Lula da Fonte garante apoio a Raquel Lyra e diz que gestora dará "lapada" na oposição

Durante evento em Moreno, Lula da Fonte afirmou fidelidade ao projeto de Raquel Lyra e afirmou que governadora dará uma "lapada" na oposição

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 31/03/2026, às 08h05 - Atualizado às 08h38

Raquel Lyra, Eduardo da Fonte e Lula da Fonte estão de mãos unidas levantadas com adesivos escrito 45, ao fundo símbolo do PP e o número 11
Lula da Fonte teceu elogios para Raquel Lyra durante evento em Moreno - Reprodução

Lula da Fonte (PP) garantiu em Moreno que o partido segue fiel ao governo de Raquel Lyra (PSD).

O parlamentar rebateu rumores de rompimento e afirmou que o grupo de João Campos sofrerá uma derrota expressiva, chamada por ele de "lapada", em outubro.

O ato de reaproximação ocorre após Raquel exonerar indicados do PP de órgãos como Detran, Lafepe e Ceasa devido a flertes da legenda com a oposição.

A aliança é reforçada pela criação da Federação União Progressista, aprovada pelo TSE em 26 de março sob o comando de Eduardo da Fonte.

Miguel Coelho (União) e Eduardo da Fonte (PP) agora articulam para ocupar as duas vagas ao Senado na chapa da governadora.

O movimento isola tentativas de João Campos de atrair o PP para sua chapa, que já conta com Humberto Costa e Marília Arraes.

Durante a inauguração do Centro de Referência da Mulher em Moreno, na segunda-feira (30), o deputado federal Lula da Fonte (PP) garantiu a permanência do Partido Progressistas na base da governadora Raquel Lyra (PSD).

O parlamentar utilizou o discurso para negar publicamente qualquer rompimento político e classificou as notícias sobre uma possível aliança com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), como falsas.

O gesto de unidade ocorre após um período de instabilidade institucional entre o governo estadual e o grupo do deputado Eduardo da Fonte.

"O Partido Progressistas estará caminhando ao lado da governadora Raquel Lyra", afirmou Lula da Fonte, ao dizer que as especulações recentes seriam reflexo do "desespero" dos adversários políticos. Na ocasião, o deputado declarou que a oposição levaria uma "lapada" nas eleições de outubro.

"É impossível a gente não falar das notícias que veicularam nos últimos dias a respeito do nosso Partido Progressistas e falar de forma muito categórica, Raquel, olhando no olho da senhora e falar o que eu sempre disse ao longo dos quatro anos do seu governo, desses três anos e quatro meses, que o Partido Progressistas estará caminhando ao lado da governadora Raquel Lyra e que todas as notícias falsas que veicularam nos últimos dias é porque, na verdade, o outro lado está desesperado da lapada que eles vão levar da senhora em outubro", citou o deputado federal. 

Crise das exonerações e a Federação

A reafirmação da aliança acontece após Raquel Lyra exonerar diversos indicados do PP em cargos da gestão em meados de março.

O Diário Oficial do Estado registrou a saída de nomes ligados a Eduardo da Fonte no Detran-PE, Lafepe, Ceasa e Porto do Recife. As dispensas ocorreram em meio aos rumores de que o Progressistas estaria negociando uma migração para o palanque de João Campos, principal nome da oposição para 2026.

Após o caso, Eduardo da Fonte declarou ao Jamildo.com que achou as exonerações "precipitadas" e que, apesar de aguardar o período de deliberação dos filiados do PP, trabalha para manter a legenda na base de Raquel. O deputado também lembrou que o Progressistas é uma das maiores bancadas do Governo na Alepe, o que ajudaria na governabilidade da governadora. 

O principal ponto que atrai tanto João quanto Raquel para Dudu é o tamanho da Federação União Progressista, que une PP e União Brasil pelos próximos quatro anos e tornou o grupo o com maior tempo de televisão e Fundo Partidário. A federação em Pernambuco está nas mãos de Eduardo da Fonte. 

O cenário político na base governista também passa pela reacomodação de Miguel Coelho (União Brasil). O ex-prefeito de Petrolina, que integrou a base de João Campos até o início de 2026, retornou ao grupo da governadora e agora articula uma candidatura ao Senado. Miguel declarou que veria com bons olhos a possibilidade de compor a chapa majoritária de Raquel Lyra ao lado de Eduardo da Fonte para as duas vagas disponíveis na Casa Alta.

O prefeito do Recife chegou a confirmar o diálogo com Eduardo da Fonte, mas a falta de espaço para o PP na chapa do PSB e a movimentação de Miguel Coelho em favor da governadora facilitaram o realinhamento do Progressistas com o Palácio do Campo das Princesas.