João Campos lança decreto que regulamenta desapropriação por hasta pública de prédios do Centro para moradia popular

João Campos publicou decreto que regulamenta lei para facilitar venda de prédios "parados" no Centro do Recife. Ideia é repovoar a região

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 31/03/2026, às 07h12 - Atualizado às 07h36

João Campos segurando documento e sorrindo para a câmera
João Campos assinou decreto que regulamenta desapropriação por hasta pública que facilita venda de imóveis ociosos - Hélia Scheppa/Prefeitura do Recife.

O prefeito João Campos assinou o Decreto nº 39.634 para regulamentar a desapropriação por hasta pública de prédios ociosos.

O rito administrativo será conduzido pelo ICPS e prevê prazos para defesa dos proprietários antes do leilão.

Arrematantes devem pagar o valor à vista e cumprir cronogramas de recuperação dos imóveis para consolidar a compra.

A prefeitura exige garantias financeiras, como hipotecas ou seguro-garantia, para assegurar a execução das obras.

Valores excedentes arrecadados nos leilões financiarão programas de habitação popular e regularização fundiária.

A medida integra o plano de repovoamento do Centro e conta com apoio do TJPE para destravar processos judiciais antigos.

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), assinou na segunda-feira (30) o Decreto nº 39.634, uma norma que regulamenta a Lei Municipal nº 19.451 de 2025 e estabelece os procedimentos para a desapropriação por hasta pública na capital.

O objetivo da medida seria destravar prédios ociosos ou com impasses jurídicos na área central para viabilizar projetos de habitação popular e requalificação urbana. A lei de 2025 já previa a desapropriação por hasta pública para resolver impasses de prédios "parados" na cidade, mas ainda faltava a regulamentação dos aspectos técnicos. 

Na regulamentação divulgada no Diário Oficial desta terça-feira (31), a Prefeitura detalha o passo a passo operacional para o município leiloar imóveis que não cumpram a função social da propriedade.

Regras do decreto de desapropriação por hasta pública

Segundo o decreto, o Instituto da Cidade Pelópidas Silveira (ICPS) abrirá os processos administrativos de desapropriação. A instauração pode ocorrer de ofício ou por solicitação de outros órgãos da administração municipal, mas com a apresentação de laudos estruturais, certidões fiscais e pareceres sobre a preservação histórico-cultural do bem.

Proprietários notificados terão um prazo de 15 dias úteis para apresentar defesa técnica perante o ICPS. Caso a prefeitura indefira o recurso, o edital de venda por leilão seguirá para publicação. O arrematante do imóvel deve realizar o pagamento integral à vista e em dinheiro.

A prefeitura estabeleceu que o comprador terá obrigações quanto ao aproveitamento do imóvel. O edital trará uma condição suspensiva, na qual a transferência definitiva da propriedade depende do cumprimento do cronograma de obras e da regularização urbanística. Além do valor da compra, o investidor precisa constituir garantias como hipoteca, seguro-garantia ou fiança bancária em favor do município.

Estratégia de repovoamento e parceria com o Judiciário

A nova ferramenta jurídica é uma das peças para projetos de repovoamento do Centro do Recife, como o Distrito Guararapes.

A ideia é usar essas desapropriações para resolver impasses em edifícios históricos que permanecem vazios devido a disputas de herança ou abandonos. O prefeito descreve o mecanismo como uma forma de forçar a circulação de imóveis congelados para que voltem a gerar moradia ou recursos para o setor social.

A lei já sancionada em 2025 prevê que o dinheiro excedente dos leilões irá para projetos de habitação de interesse social, regularização fundiária ou renovação urbana.

A prefeitura também firmou um acordo de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) em janeiro de 2026 para agilizar decisões judiciais sobre imóveis degradados e priorizar casos de interesse público e função social.

Em entrevistas no ano passado, João Campos defendeu a habitação como a solução para o esvaziamento do Centro do Recife e um dos pilares para o aumento na segurança do espaço. O Governo Federal ainda planeja a construção de um Instituto Federal no Edifício Trianon, na Avenida Guararapes, para aumentar a presença de pessoas na região e ampliar os polos do IF no estado.