Alepe e Câmara do Recife retornam nesta segunda (02) em alta tensão política pré-eleição

Tanto Raquel Lyra quanto João Campos receberam pedidos de impeachment. Socialista deve passar com tranquilidade, mas vereadores tentam desgaste pré-eleição

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 02/02/2026, às 07h27 - Atualizado às 08h06

Montagem de duas fotos, à esquerda Raquel sentada fala em microfone com crachá de evento, à direita João Campos em pé fala em microfone e usa crachá do evento
Raquel Lyra e João Campos enfrentam pedidos de impeachment nas Casas Legislativas, que retomam hoje as atividades - Divulgação/ Todos pela Educação

Alepe e Câmara do Recife retomam as atividades legislativas nesta segunda-feira (2), em cenário de tensão política pré-eleitoral, sem confirmação da presença de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) nas sessões de abertura.

Governadora e prefeito enfrentam pedidos de impeachment por polêmicas administrativas no fim de 2025 e início de 2026; na Câmara do Recife, tendência é de arquivamento, já que João Campos tem maioria folgada e controle da Mesa Diretora.

Na Alepe, apesar de contar com maioria numérica, Raquel Lyra depende de comissões presididas por oposicionistas, o que eleva o potencial de desgaste político em ano eleitoral e pode dificultar o avanço de projetos de interesse do governo.

Crises recentes envolvem, no Estado, denúncia sobre empresa de transporte ligada à família de Raquel e investigação do STF sobre monitoramento, pela Polícia Civil, de secretário de João Campos; na Prefeitura, alvo é a mudança de enquadramento de candidato PCD em concurso público.

Raquel precisa ainda do retorno da Alepe para votar novos empréstimos e destravar a LOA 2026, sob relatoria de Antonio Coelho (União Brasil) na Comissão de Finanças, enquanto projetos de crédito estão na CCLJ presidida por Alberto Feitosa, que já sinalizou atraso nas reuniões.

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) e Câmara Municipal do Recife retornam às atividades legislativas nesta segunda-feira, 2 de fevereiro.

Até o momento, não há confirmação sobre a presença da governadora Raquel Lyra (PSD) ou João Campos (PSB) na abertura das atividades legislativas.

Apesar da convocação da governadora ao longo do mês de janeiro, é apenas nessa retomada que os deputados devem debater as principais pautas favoráveis e desgastantes para gestão. 

Tanto Raquel quanto João receberam pedidos de impeachment por polêmicas administrativas entre o final de 2025 e 2026.

No caso municipal, a tendência é que o projeto não passe em votações, já que o socialista tem maioria absoluta e o presidente da Casa ao seu lado. A oposição contra João Campos tem 11 vereadores, seria necessário 19 votos para garantir a continuidade do processo. 

A situação difere para governadora. Mesmo com a maioria na Alepe, Raquel terá que passar pelos presidentes das principais comissões da Assembleia e pelo líder da Casa, todos oposicionistas de sua gestão. 

Em um ano eleitoral, mesmo que a Alepe tenha maiores chances de levar o tema adiante, a tendência é que essas pautas foquem apenas em diminuir a credibilidade dos respectivos gestores, que devem concorrer ao Governo de Pernambuco em 2026. 

Ambos os lados estão em uma guerra fria pouco silenciosa de acusações entre os grupos políticos. Raquel Lyra passa pelas críticas sobre a irregularidade da empresa de transporte do pai, a Logo Caruaruense, durante três anos de governo.

A situação levou à mudança na presidência da Empresa de Transporte Intermunicipal de Pernambuco (EPTI), que já alterou seu líder novamente esta semana, após polêmicas de falas antigas do presidente nomeado por Raquel, Yuri Coriolano. 

Raquel também passa pela polêmica do monitoramento do secretário de João Campos pela Polícia Civil. Apesar da Secretaria de Defesa Social alegar regularidade na ação de investigação preliminar, a oposição afirma que a atuação teria um cunho de monitoramento político. Neste fim de semana o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou uma investigação do caso pela Polícia Federal. 

Já João Campos é criticado pela transferência de posição de um candidato filho de magistrados em um concurso do município.

A gestão alega que houve apenas a inclusão do candidato na cota de pessoas com deficiência após apresentação de laudo de autismo, enquanto outros grupos alegam que a mudança não poderia ocorrer já que o período de comprovação de direito às cotas já teria passado.

Com a polêmica, a Prefeitura retrocedeu e deixou o processo nas mãos da Justiça, com os recursos dos participantes. 

A oposição do prefeito argumenta que o caso seria uma suposta moeda de troca entre a Prefeitura e os magistrados para ganhar favorecimento em processos. João Campos nega essas acusações. 

Raquel Lyra também aguarda retorno da Alepe

Apesar dos impasses que podem gerar desgaste político, Raquel também precisa do retorno da Alepe, já que aguarda a aprovação de novos pedidos de empréstimos, a regularização da Lei Orçamentária Anual e outros pontos. 

Raquel Lyra repassou esses projetos como prioridade durante a convocação extraordinária da Assembleia, mas não houve votações com o repasse de alguns itens para Procuradoria da Alepe e com as poucas reuniões que ocorreram no período. 

Os principais pontos de tensão estão nas mãos do deputado Antonio Coelho (União Brasil), que está como relator da LOA 2026 na Comissão de Finanças, e Alberto Feitosa, que preside a Comissão de Constituição e Justiça. A CCLJ está com os projetos dos novos pedidos de empréstimo. Feitosa já alertou que não haverá reunião da comissão nesta semana, já que fará uma cirurgia de hérnia.