Carlos Neves assume presidência do TCE-PE com defesa do diálogo e da democracia: “missão constitucional”

Cerimônia reuniu autoridades e marcou a posse de Carlos Neves como presidente do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco para o biênio 2026–2027

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 15/01/2026, às 22h23 - Atualizado às 22h25

Imagem Carlos Neves assume presidência do TCE-PE com defesa do diálogo e da democracia: “missão constitucional”

Carlos Neves tomou posse como presidente do TCE-PE para o biênio 2026–2027

Valdecir Pascoal destacou a estatura institucional e o papel democrático do tribunal

Novo presidente defendeu diálogo, prevenção e foco na primeira infância

Cerimônia reuniu autoridades dos três Poderes e representantes do controle externo

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco abriu um novo ciclo institucional nesta quinta-feira (15), com a posse do conselheiro Carlos da Costa Pinto Neves Filho na presidência da Corte para o biênio 2026–2027. A cerimônia, realizada no Recife Expo Center, reuniu autoridades dos três Poderes, representantes de Tribunais de Contas de todo o país, servidores, amigos e familiares.

Na mesma solenidade, tomaram posse os conselheiros Marcos Loreto (vice-presidente), Dirceu Rodolfo (corregedor), Eduardo Porto (diretor da Escola de Contas) e Rodrigo Novaes (ouvidor). O evento contou com a presença da governadora Raquel Lyra (PSD), da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB), do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), do prefeito do Recife, João Campos (PSB), além de representantes do Judiciário, do Legislativo, do Ministério Público de Contas, da OAB e de entidades nacionais do sistema de controle externo.

Na primeira fileira do auditório, estavam os pais, Carlos e Ana Teresa Neves, as irmãs, os filhos, além da esposa, Milu Megale, secretária de Cultura da Prefeitura do Recife. A família acompanhou emocionado o discurso de cerca de 30 minutos.

A solenidade foi aberta pelo então presidente do TCE-PE, Valdecir Pascoal, que saudou o sucessor destacando sua trajetória jurídica, institucional e humana. Pascoal afirmou que Carlos Neves assume o comando da Corte em um período de exigência democrática, no qual o controle externo precisa combinar rigor técnico, diálogo institucional e compromisso com a verdade factual. “A estatura institucional de Carlos Neves transcende Pernambuco. Ele simboliza uma nova cultura no controle externo, fundada no diálogo, na escuta e na resolução consensual de conflitos”, afirmou Pascoal.

O ex-presidente definiu Carlos Neves como um quadro técnico com sensibilidade institucional. Ele destacou a habilidade para atuação no plano nacional e a participação em iniciativas voltadas ao diálogo e à resolução consensual de conflitos. “Ele coordenou a atuação do sistema junto ao Supremo Tribunal Federal e uma quadra de intensa judicialização das competências dos tribunais de contas”, disse.

Carlos Neves e Valdecir Pascoal na posse para o biênio 2026-2027
DIVULGAÇÃO/TCE

Tempos desafiadores exigem de nós uma compreensão plena de nosso papel como Instituição republicana, chamada a zelar, sim, pela boa governança e pela correta aplicação dos recursos públicos, mas sem jamais perder de vista o compromisso com o fortalecimento e a consolidação da democracia brasileira”, continuou.

Pascoal também mencionou a formação jurídica de Neves, sua trajetória acadêmica e a herança familiar ligada à defesa das liberdades democráticas. Ao encerrar, afirmou que a nova gestão reúne condições para manter o tribunal como espaço de rigor técnico aliado à escuta e ao diálogo institucional, com citação ao jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano.

“A palavra é sagrada, se dou minha palavra, me dou. Hoje, entrego-lhe simbolicamente a tocha institucional deste tribunal. Uma tocha que não se apaga. Uma chama acesa pelas mãos daqueles que ajudaram a fundar, consolidar e honrar esta casa”, finalizou.

MEmbros do TCE-PE

Democracia, diálogo e verdade

Ao assumir a presidência, Carlos Neves iniciou a fala destacando o peso histórico do cargo e a responsabilidade pública que acompanha a função. Disse receber a missão com humildade e reafirmou que a confiança depositada pelos pares e pela Assembleia Legislativa. “A confiança não me pertence. Ela pertence ao cargo e à responsabilidade que renovo com o povo de Pernambuco”, discursou.

Inspirado maior porta-voz do abolicionismo no Brasil, Joaquim Nabuco, citou o desafio de enfrentar não apenas desigualdades formais. “Não basta acabar com a escravidão, é preciso acabar com a obra da escravidão. Nabuco falava para além das correntes físicas que feriam o corpo dessa nação. Hoje, as correntes são invisíveis da ineficiência e da exclusão social. Estamos aqui para romper essas amarras através de um controle externo que promove a justiça social”, afirmou.

Valdecir Pascoal e Carlos Neves
JAMILDO.COM

Ao longo do discurso, defendeu um Tribunal de Contas comprometido com a democracia e atento aos riscos da desinformação. “Vivemos sob domínio de algoritmos, muitas vezes desenhados para discórdia, para o isolamento do pensamento, a sistematização da rede do ódio remunerado, das fake news, sobre a máscara da liberdade, que tenta corroer a soberania institucional de muitas nações”, disse.

Em um dos trechos do longo discurso, alertou para o ambiente de polarização e ataques institucionais alimentados por redes digitais. “Contra o caos informacional, nosso dever é oferecer o dado técnico preciso. Contra a mentira orquestrada, apresentamos a transparência absoluta. Se houver tentativa de manipular fiscalizações e julgamentos, nossa integridade e nossa estrutura republicana deve servir como escudo. Não há país soberano sem instituições que protejam a verdade dos fatos”, contou.

Carlos Neves citou pensadores e artistas que influenciaram sua formação intelectual, que vai desde Friedrich Nietzsche a Paulo Freire e Ariano Suassuna, além dos músicos Belchior e Gonzaguinha.

Ao mencionar Paulo Freire, reforçou o papel da comunicação como método institucional. “O diálogo é o encontro de homens e mulheres para a tarefa comum e agir e pensar. Esse tribunal será o lugar desse encontro, onde o agir do gestor e o pensar do controle se unem na tarefa comum de servir ao povo de Pernambuco”, citou.

Carlos Neves TCE

Família e declaração

Em um dos momentos mais emocionantes da cerimônia, o presidente do TCE-PE deixou o tom técnico um pouco de lado abriu espaço para os agradecimentos à família e aos amigos. Carlos Neves citou a trajetória dos avós, pais e irmãos, lembrando o legado ético herdado e o apoio silencioso nos momentos decisivos da vida pública.

Visivelmente emocionado, voltou-se à esposa, Milu Megale, a quem atribui papel central em sua trajetória pessoal e profissional. “Você é a base de tudo, a força que impulsiona cada passo. Minha razão de viver, meu amor eterno e minha gratidão diária”, declarou, sob aplausos do público.

Carlos Neves afirmou, ainda, que o Tribunal de Contas seguirá como espaço de orientação, prevenção e mediação, sem abrir mão da autoridade constitucional. Reforçou que o controle externo não deve ser instrumento de oposição ou de complacência, mas de composição do interesse público. “Não prometo facilidade. O tempo exige vigilância e entrega. Prometo trabalho incansável para que o dinheiro do povo se transforme em dignidade”, concluiu.