Tarifaço de Trump causa queda de 6% nas exportações brasileiras para os EUA

Brasil acumula déficit 2.900% maior que em 2024 em balança comercial com Estados Unidos; Governo conversa com Washington para amenizar situação

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 07/01/2026, às 09h44 - Atualizado às 11h46

Porto para navios comerciais de grande porte. Na foto há guindastes e contêiner, além de um pico com árvores.
Algumas mercadorias brasileiras seguem taxadas em 50% - Diego Baravelli/MInfra

As exportações brasileiras aos EUA caíram 6,6%, de US$ 40,4 bilhões (2024) para US$ 37,7 bilhões.

O déficit comercial do Brasil com os EUA aumentou 2.900%, chegando a US$ 7,5 bilhões.

O superávit da balança comercial geral do Brasil foi de cerca de US$ 68 bilhões, o menor em três anos.

A China lidera as trocas comerciais, com 28% das exportações brasileiras e superávit de US$ 29 bilhões.

As exportações para a União Europeia cresceram 3,2%, mas o saldo foi deficitário em US$ 480 milhões.

Em 2025, o Brasil bateu recorde de exportações, com US$ 348,7 bilhões (+3,9%).

As importações também atingiram recorde, somando US$ 280,4 bilhões (+7,1%).

O governo brasileiro segue negociando com os EUA para reduzir as tarifas mais elevadas.

O ano de 2025 foi um ano marcado pelo medo tarifário imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as vendas de produtos brasileiros aos estadunidenses caíram cerca de 6,6%, de 40,4 bilhões de dólares em 2024 para 37,7 bilhões de dólares em 2025.

As importações do Brasil aos Estados Unidos foram 11% maiores em relação a 2024, subiram para 45,2 bilhões de dólares. Com isso, o país sul-americano sofreu um aumento de 2.900% no déficit da balança comercial com os americanos, um saldo negativo de US$ 253 milhões para US$ 7,5 bilhões.

Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o superávit do Brasil na balança comercial geral foi de, aproximadamente, US$ 68 bilhões, o menor dos últimos três anos

Apesar da diminuição das exportações, os Estados Unidos ainda são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, importando cerca de 11% dos produtos brasileiros. Os EUA ficam atrás apenas da China, que importa cerca de 28% das mercadorias.

No comércio com a China, o Brasil fechou em superávit de 29 bilhões de dólares, 6% de crescimento das exportações, totalizando cerca de US$ 100 bilhões.

Com a União Europeia, as vendas subiram 3,2%. Entretanto, o cenário é de déficit de cerca de 480 milhões de dólares. Devido à assinatura adiantada do acordo Mercosul-União Europeia no mês de dezembro, as exportações brasileiras ao bloco cresceram 39% em comparação ao mesmo mês em 2024.

Panorama atual das exportações e importações aos EUA

De acordo com o Governo brasileiro, no ano de 2025, as exportações registraram recorde anual, um total de US$ 348,7 bilhões, com aumento de 3,9% em relação a 2024.

As importações alcançaram o maior patamar da série histórica, movimentando US$ 280,4 bilhões, registrando uma alta de 7,1%. 

Segundo o ministro do desenvolvimento, Geraldo Alckmin, o presidente Lula ainda mantém a estratégia da negociação com Washington.

O presidente Lula tem com o presidente Trump um bom relacionamento. Eles tiveram vários encontros, as conversas avançaram e a nossa tarefa é avançar ainda mais”, disse o vice-presidente.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e Lula, presidente do Brasil, apertando as mãos e sorrindo para a foto.
Ricardo Stuckert/PR

  • 51% das mercadorias brasileiras enviadas aos EUA estão com a tarifa padrão de 10%, aplicada por Trump a todos os países, ou estão entre produtos isentos, como o petróleo. 
  • Outros 27% estão enquadrados na Seção 232, a qual Donald Trump aplicou tarifas específicas a produtos selecionados.
  • Os restantes 22%, encontram-se, atualmente, com taxas de 50%.

O Governo federal continua a negociação com os EUA para que os 22% das exportações brasileiras ainda com as taxas de 50% do período do "tarifaço" sofram uma redução tributária.

"O trabalho continua e vai ser acelerado para que esses 22% que ainda enfrentam a tarifa de 50% sejam reduzidos ainda mais”, afirmou Alckmin.