Após carta apelando paz à Casa Branca, Trump ameaça vice da Venezuela e outros países

Delcy Rodríguez, vice da Venezuela, clama por paz e não interferências entre países. Trump reforça interesse em tomar Groenlândia

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 05/01/2026, às 08h59 - Atualizado às 11h36

Montagem de duas fotos. À esquerda, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos  e à direita, Delcy Rodríguez, vice-presidente e presidente interina da Venezuela
Reuters

Trump ameaça Delcy Rodríguez com punição maior que a de Maduro se ela “não fizer o certo”.

A fala ocorre após carta de Rodríguez à Casa Branca propondo cooperação e diálogo.

Marco Rubio afirma que os EUA usarão a “quarentena do petróleo” contra a Venezuela.

Presidente dos EUA afirma que a Groenlândia é necessária para a defesa americana.

Presidente colombiano diz que defenderá a Colômbia se houver agressão.

Trump critica México e afirma que Cuba está prestes a cair sozinha.

No último domingo (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, em entrevista à revista americana The Atlantic, que a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá pagar um preço maior que Maduro “se não fizer o certo”, disse o presidente estadunidense. 

“Se ela não fizer o que é certo, irá pagar um preço alto, provavelmente maior que o do Maduro”, afirmou Trump

A fala do presidente vem após o encaminhamento de uma carta aberta de Rodríguez à Casa Branca. No documento, a presidente interina da Venezuela afirma que o país “aspira viver sem ameaças externas” e propõe uma agenda de cooperação entre os países, visando evitar um possível conflito armado.

O alto comando militar do país sul-americano reconheceu Delcy como autoridade na Venezuela após a prisão de Maduro.

“Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos conjuntamente em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional e que fortaleça uma convivência comunitária duradoura.” , escreveu Rodríguez. 

O texto oficial também aborda o princípio da “não ingerência”, no qual a líder latina reforça a não intervenção dos Estados Unidos na política venezuelana. 

“Consideramos prioritário avançar para um relacionamento internacional equilibrado e respeitoso entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da Região, baseado na igualdade soberana e na não ingerência. Esses princípios orientam nossa diplomacia com o restante dos países do mundo.”, diz a carta.

Em contrapartida ao desejo da presidente interina, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos utilizarão da “quarentena do petróleo” para promover mudanças políticas na Venezuela. 

Novos países na mira americana

Ainda em entrevista ao The Atlantic, Trump confirmou que a Venezuela não é o único país sujeito a intervenções americanas: “Nós precisamos da Groenlândia, com certeza. Precisamos dela para nossa defesa”, declarou Trump. 

Essa declaração ocorre horas após Katie Miller, esposa do chefe de gabinete adjunto da Casa Branca para políticas, Stephen Miller, publicar no X uma imagem com um mapa da Groenlândia sobreposto à bandeira dos Estados Unidos, com a legenda: “EM BREVE”.

Além das ameaças ao território dinamarquês, o presidente estadunidense declarou que uma operação militar contra a Colômbia “soa bem”.

“A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos — e não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, afirmou Trump.

Em resposta, o presidente colombiano, Gustavo Petro, declarou que “Embora eu não tenha sido soldado, conheço a guerra e as operações clandestinas. Jurei nunca mais tocar em armas depois do Acordo de Paz de 1989, mas pelo bem do meu país, pegarei em armas novamente, armas que não quero.”

Donald Trump também falou sobre Cuba e México. “Temos que fazer alguma coisa em relação ao México. O país precisa se organizar”, afirmou. Já sobre o vizinho Cuba, para Trump, o país já se encontra prestes a cair sozinho.