Anúncio de Donald Trump sobre ataque à Venezuela e captura de Nicolás Maduro provoca comemorações na oposição e críticas de aliados do governo Lula
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 03/01/2026, às 10h06
Trump anunciou ataque de grande escala e captura de Nicolás Maduro
Oposição ao governo Lula celebrou a ação dos Estados Unidos
Base governista e Lula condenaram a ofensiva e falaram em violação da soberania
Venezuela decretou emergência nacional e prometeu resistência militar
Repercussão política no Brasil se intensificou neste sábado (3) após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um ataque de grande escala à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. Enquanto integrantes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebraram a ação norte-americana, aliados do governo e o próprio presidente da República condenaram a ofensiva e classificaram o episódio como violação da soberania venezuelana.
O anúncio foi feito por Trump em suas redes sociais. Segundo o presidente norte-americano, Maduro teria sido capturado e retirado do território venezuelano. Trump informou ainda que dará detalhes da operação em coletiva de imprensa marcada para as 13h, no horário de Brasília, no resort de Mar-a-Lago, na Flórida.
A declaração teve ampla repercussão entre políticos brasileiros. O ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto publicou uma foto ao lado de Trump e comemorou o anúncio. “Parabéns! Vamos varrer todo o mal das Américas!”, escreveu. O senador Sergio Moro (União-PR) afirmou que a ação representa “o fim de Maduro” e avaliou o episódio como positivo para a Venezuela e para a comunidade internacional.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também se manifestou nas redes sociais, afirmando que, com a captura de Maduro, integrantes do Foro de São Paulo enfrentarão “dias terríveis”.
Na avaliação de parlamentares da base governista, a ofensiva dos Estados Unidos representa uma ameaça direta à soberania da Venezuela. A deputada estadual Rosa Amorim (PT) classificou o ataque como um absurdo. “Os EUA ameaçam a soberania nacional da Venezuela com ataques aéreos em Caracas. Um ataque contra um país que nunca atacou os Estados Unidos e contra a população venezuelana”, publicou.
O deputado estadual João Paulo (PT) manifestou solidariedade ao povo venezuelano e criticou a ação militar. “Toda solidariedade ao povo da Venezuela diante dos ataques militares dos EUA e do sequestro do presidente Maduro. O imperialismo segue violando a soberania dos povos latino-americanos e semeando guerra e instabilidade pelo mundo”, escreveu.

A senadora Teresa Leitão (PT) afirmou que a ação compromete a paz regional. “Guerras matam, destroem escolas, comprometem o futuro de gerações inteiras. O ataque à Venezuela viola a paz na América Latina e é inaceitável”, declarou, acrescentando que interesses econômicos estariam por trás da ofensiva.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se posicionou publicamente contra a ação dos Estados Unidos. Em nota, afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura do presidente do país “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. Lula declarou ainda que atacar países em violação ao direito internacional abre caminho para “um mundo de violência, caos e instabilidade”, no qual prevalece “a lei do mais forte sobre o multilateralismo”.

Segundo o presidente, a condenação ao uso da força está alinhada à posição histórica do Brasil em crises internacionais recentes. Lula afirmou que a ação remete “aos piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e ameaça a preservação da região como zona de paz. O presidente defendeu uma resposta da comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, e reiterou que o Brasil condena as ações e permanece à disposição para promover o diálogo e a cooperação.
Em resposta à operação, o governo venezuelano decretou emergência nacional e anunciou a mobilização de planos de defesa. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, declarou que o país irá resistir à presença de tropas estrangeiras.
A escalada de tensão entre Estados Unidos e Venezuela se intensificou nos últimos meses, após o deslocamento de forças militares norte-americanas para a região e ações no Caribe, justificadas pelo Pentágono como parte do combate ao narcotráfico.