PSDB em Pernambuco: Intervenção nacional, Raquel Lyra e Álvaro Porto em disputa pelo poder

Veja quadro do jornalista Jamildo Melo para a CBN Recife falando dos bastidores da intervenção do PSDB Nacional, em favor de Álvaro Porto e contra Raquel

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 03/04/2025, às 16h56 - Atualizado às 17h21

Raquel Lyra e Álvaro Porto são adversários políticos. - Reprodução
Raquel Lyra e Álvaro Porto são adversários políticos. - Reprodução

Com a ajuda de uma intervenção, o PSDB Nacional afastou os aliados de Raquel Lyra e deu poder ao deputado Álvaro Porto, presidente do Poder Legislativo.

Intervenções não são atos comuns na vida partidária. São atos de força, para afirmação de novos caminhos.

No caso em tela, o caldo entornou mesmo por conta de duas inserções partidárias do PSDB com a vice-governadora Priscila Krause fazendo proselitismo da governadora Raquel Lyra, quando ela já estava no PSD. Foi visto como escárnio pela direção nacional.

Todos lembram que Priscila havia deixado o cidadania e ingressado no PSDB na véspera de Raquel Lyra se mudar para o PSD.

Essa jogada foi vista pela direção nacional como uma tentativa de ter o PSDB como puxadinho, em Pernambuco.

Como Porto era a maior liderança do PSDB no Estado, me função do cargo de presidente do Legislativo, a direção iniciou as tratativas para a intervenção.

Curioso que, lá atrás, Álvaro Porto já havia se apresentado para presidir o partido, mas Raquel Lyra achou por bem colocar no comando o empresário Fred Loyo, que agora foi afastado pela intervenção.

A resposta do grupo de Raquel foi anunciar uma desfiliação em massa dos prefeitos da legenda tucana.

Bastidores

Para justificar a decisão, já que a nota oficial do PSDB nada apresenta neste sentido, os tucanos classificam Raquel Lyra como ingrata.

Primeiro por receber a legenda para disputa em Caruaru, quando o PSB vetou o nome dela. Depois, pela ajuda do então ministro das Cidades, Bruno Araujo, com recursos da União para a cidade do agreste.

Pelo contrário, Raquel exonerou todos os indicados de Bruno do governo, como a direção da Copergás.

Na mesma linha da ingratidão, a direção nacional passou na cara que deu R$ 30 milhões do fundo partidário na disputa pelo governo do Estado. E nas eleições municipais, mais um total de R$ 9 milhões, para a disputa das prefeituras.

No plano político, o PSDB faz oposição a Lula e Raquel criticou o partido por isto, antes de ir para o PSD, da base de Lula.

Não se sabe se Alvaro Porto vai rezar pela mesma cartilha, contra Lula. Caso o faça, pode criar uma contradição no palanque de João Campos, de quem Álvaro Porto pode ser aliado em 2026.

Concluindo, pode parecer apenas uma briga de egos, mas na prática é uma briga para ver quem chega com maior time em 2026.

Como em política tudo é narrativa, os caciques estão brigando pela quantidade de partidos nas respectivas coligações, no ano que vem. Aguardemos os próximos capítulos.