Plantão Jamildo.com | Publicado em 05/02/2026, às 17h37
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), voltou a criticar publicamente a investigação conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco contra um secretário municipal de sua gestão e classificou a apuração como um episódio de intimidação e autoritarismo. As declarações foram feitas em vídeo publicado nas redes sociais na noite da última quarta-feira (4).
O pronunciamento ocorreu durante a inauguração de uma creche na capital pernambucana. Sem citar nominalmente a governadora Raquel Lyra (PSD), João Campos direcionou as críticas ao governo estadual, ao qual a Polícia Civil é subordinada, e afirmou que a atuação investigativa não condiz com práticas do Estado democrático de direito.
No discurso, o prefeito fez referências diretas ao período da ditadura militar no Brasil e à trajetória de sua família para sustentar o paralelo com o que considera abusos institucionais. Segundo ele, ações de perseguição política e intimidação pertencem a um passado que não deve ser retomado.
“Se eu acordasse de manhã bem cedo e dedicasse a minha energia a estar perseguindo as pessoas, a estar buscando briga, a estar rastreando de forma ilegal o adversário e outras instituições, eu não estaria aqui hoje inaugurando creche atrás de creche, obra atrás de obra, porque esse tempo de intimidação, de autoritarismo e de arrogância ficou no passado”, afirmou João Campos.
Na sequência, o prefeito reforçou que esse tipo de prática não pode se repetir no país. “Esse tempo ficou num tempo que nunca mais deve ser repetido, como foi na ditadura militar do Brasil”, disse, ao mencionar a história do pai, o ex-governador Eduardo Campos.
Ao detalhar o relato familiar, João Campos destacou que Eduardo Campos nasceu em 1965, um ano após o golpe militar, e não pôde receber o sobrenome materno por receio de perseguição política. “Meu pai não teve o direito de ter o nome da mãe porque ele poderia ser perseguido. Conheceu o avô com 10 anos de idade e cresceu vendo o peso da ditadura e de algo autoritário que priva as liberdades individuais”, declarou.
O prefeito também afirmou que não aceitará passividade diante de eventuais ilegalidades. “Não contem comigo para baixar a cabeça para nenhum ato autoritário ou que viole qualquer lei do nosso país”, concluiu.
As declarações reforçam posicionamentos já adotados anteriormente por João Campos sobre o caso. Em outras manifestações públicas, o prefeito questionou a condução da apuração e sugeriu motivação política por trás das diligências realizadas pela Polícia Civil.
A investigação foi conduzida pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel) a partir de uma denúncia anônima que apontava supostos pagamentos de propina envolvendo o uso de um carro funcional da Prefeitura do Recife. O veículo era utilizado por Gustavo Monteiro, secretário municipal de Articulação Política e Social, que se tornou alvo da apuração preliminar.
Reportagem exibida pela TV Record revelou que um rastreador foi instalado no automóvel funcional para monitoramento da movimentação. A verificação ocorreu entre agosto e outubro de 2025 e não resultou na abertura de inquérito policial.
Após a repercussão do caso, o Governo de Pernambuco informou que a atuação da Polícia Civil seguiu “procedimentos legais de verificação preliminar” e afirmou que não houve espionagem nem perseguição política. Segundo a gestão estadual, as diligências se limitaram à análise inicial da denúncia e não apresentaram irregularidades.
Posteriormente, após provocação da Prefeitura do Recife, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinou que a Polícia Federal apure um “suposto monitoramento indevido” envolvendo o secretário municipal.
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