A Prefeitura de Paulista colocou parte do valor da previdência municipal no Banco Master. PF investiga situação nesta quarta (10)
por Cynara Maíra
Publicado em 10/06/2026, às 09h27 - Atualizado às 09h59
Ação de Busca: A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do PreviPaulista nesta quarta-feira (10) por meio da Operação Take Over.
Fundo sob Investigação: O inquérito apura o direcionamento ilegal de mais de R$ 3 milhões do fundo de aposentadoria dos servidores para ativos de risco e suspeitas de vantagens indevidas.
Rombo do Banco Master: Paulista figura como a única prefeitura de Pernambuco com dinheiro retido no banco privado, que sofreu liquidação extrajudicial do Banco Central em novembro de 2025.
Perda do FGC: Por restrição na legislação de finanças públicas, o montante investido pela prefeitura em Letras Financeiras não possui a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
Posicionamento da Cidade: A gestão do prefeito Ramos colabora com a PF e atribui a responsabilidade pelo prejuízo ao mandato anterior, acionando advogados para reaver o caixa.
Defesa da Antiga Gestão: O ex-prefeito Yves Ribeiro alegou inocência citando a independência da autarquia, enquanto o ex-diretor Luiz Augusto justificou que o banco tinha avaliação positiva no mercado em fevereiro de 2024.
Garantia aos Servidores: A atual presidência do instituto previdenciário informou que o fundo detém R$ 135 milhões em ativos preservados, assegurando a continuidade normal das folhas de pagamento.
Nesta quarta-feira (10), a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Take Over para apurar irregularidades na gestão de recursos do fundo previdenciário dos servidores municipais de Paulista em ação vinculada com o caso do Banco Master.
Policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede do Instituto de Previdência Social do município (PreviPaulista) por indícios de que antigos gestores direcionaram valores superiores a R$ 3 milhões para investimentos de alto risco, contrariando as normas legais e os procedimentos de governança.
O inquérito busca esclarecer se a aplicação de recursos caracteriza gestão temerária ou fraudulenta, além de investigar crimes contra o sistema financeiro nacional e a administração pública.
A PF também apura o suposto recebimento de vantagens indevidas por parte dos responsáveis pelo fundo. Segundo a corporação, os antigos administradores tomaram decisões estratégicas de forma isolada, ignorando os preceitos regulamentares de liquidez, segurança e transparência.
Em nota de esclarecimento divulgada hoje, a Prefeitura de Paulista e a atual diretoria do PreviPaulista confirmaram a realização das diligências e asseguraram total colaboração com a PF, disponibilizando todos os documentos solicitados.
A diretora-presidente da autarquia, Giovanna Cordeiro, reiterou que as aplicações ocorreram integralmente na gestão passada, encerrada em dezembro de 2024. A nova equipe municipal, sob o prefeito Ramos (PSD), contratou um escritório de advocacia especializado para tentar recuperar os valores na Justiça e ativou um plano de contingenciamento. A gestão garantiu que a saúde financeira do instituto está sólida, com uma carteira remanescente de R$ 135 milhões, descartando o risco de atrasos no pagamento de aposentados e pensionistas.
O caso em Pernambuco conecta-se à quebra do Banco Master, em que o Banco Central decretou liquidação extrajudicial em 18 de novembro de 2025 por insolvência patrimonial.
Na mesma ocasião, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e prendeu o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, bloqueando mais de R$ 12 bilhões em bens. Paulista despontou como o único município do estado com dinheiro aplicado no banco, somando R$ 3.580.403,00 investidos em Letras Financeiras. Por se tratar de recursos de previdência pública, o montante não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), gerando o risco de perda total do investimento.
Ainda em novembro de 2025, o ex-prefeito Yves Ribeiro negou qualquer participação no negócio e destacou que o instituto de previdência usufrui de autonomia administrativa, contando com conselhos próprios de investimentos.
O ex-diretor-presidente do fundo e responsável direto pela aplicação em fevereiro de 2024, Luiz Augusto da Silva Junior, defendeu a operação na época do aporte. Ele alegou que o mercado não registrava rumores de crise no Banco Master no início daquele ano, uma vez que a instituição apresentava nota de crédito positiva e rentabilidade atrativa antes do estouro do escândalo financeiro.