Eduardo Moura defende pedido de impeachment de João Campos após repercussão sobre caso do concurso para Procuradoria do Recife
por Cynara Maíra
Publicado em 02/01/2026, às 08h39 - Atualizado às 09h27
Impeachment: O vereador Eduardo Moura (Novo) coleta assinaturas para pedir o afastamento de João Campos (PSB); ele já tem 11 apoios e precisa de mais dois.
Defesa: O prefeito negou favorecimento, disse que a decisão foi técnica baseada em laudo de autismo e chamou as críticas de "ilação".
Recuo: A Prefeitura anulou a nomeação questionada e convocou o candidato original da lista PCD para evitar insegurança jurídica.
O vereador Eduardo Moura (Novo) anunciou que articula um pedido de impeachment contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB). A iniciativa ocorre após a polêmica sobre a alteração na lista de aprovados do concurso para procurador do município.
Segundo o parlamentar, o documento já conta com o apoio de 11 vereadores do bloco de oposição. Para que o processo seja oficialmente admitido na Câmara Municipal, são necessárias mais duas assinaturas.
O pedido baseia-se na acusação de que o prefeito cometeu crime de responsabilidade e infração político-administrativa ao nomear o candidato Lucas Vieira da Silva para uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PCD), em suposto desacordo com o edital do certame homologado em 2023.
Lucas, que ficou em 63º lugar na classificação geral, apresentou um laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 2025 e foi reclassificado para o primeiro lugar da lista PCD, deslocando o candidato Marko Venício Batista.
"O concurso aconteceu em 2022, foi homologado em junho de 2023 e o edital virou uma lei. Quando ele descumpre o edital, praticou um ato contra a expressa disposição de lei", afirmou Moura.
Eduardo Moura afirmou que manterá a mobilização para conseguir as assinaturas restantes. O vereador argumenta que, embora a prefeitura tenha recuado na nomeação, o ato administrativo irregular já teria sido consumado na publicação do Diário Oficial de 23 de dezembro.
"A pressão popular foi determinante para que o prefeito recuasse da nomeação", avaliou o parlamentar do Novo.
O prefeito João Campos negou qualquer tipo de favorecimento ou troca de influências. Em fala com a impensa na quinta-feira (1º), o gestor classificou as acusações como "ilação" e criticou o que chamou de "leitura enviesada da política".
Campos sustentou que a decisão inicial da Procuradoria foi técnica, baseada em laudos validados pela Justiça Federal do Trabalho e na legislação que equipara pessoas com autismo a PCDs.
"Não há nenhuma decisão de mudança de nota, de passar na frente, não é isso. Não tem ninguém nomeado em função de nome, sobrenome ou parentesco. Isso não existe", assegurou o prefeito.
Apesar da defesa, a gestão municipal recuou da decisão. Após recurso administrativo de Marko Venício e a repercussão negativa, a Procuradoria reviu o ato para evitar "insegurança jurídica".
O órgão público decidiu retirar a nomeação de Lucas Vieira e nomear Marko Venício, candidato originalmente classificado na vaga PCD.
Leia também