Raquel Lyra sanciona novo reajuste de 20% na LOA 2026; Porto nega influencia de prefeitos

Projeto foi elaborado pelo Executivo, após Álvaro Porto solicitar à governadora um novo texto; a pauta foi aprovada na Alepe por 33 votos

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 24/04/2026, às 08h37

Raquel Lyra
Reajustes na LOA são pivô de entraves em projeto há 115 dias

Governadora Raquel Lyra sanciona LOA 2026 após impasse de quatro meses na Alepe.

Texto garante ao Executivo remanejamento de até 20% do orçamento estadual.

Projeto também autoriza operações de crédito e endividamento de até R$ 4,91 bilhões.

Acordo foi construído com participação de governo, oposição e intermediação de prefeitos.

Entrave ocorreu após proposta anterior reduzir margem de remanejamento para 10%.

Após quatro meses de impasse em razão do percentual de reajuste dos dispositivos orçamentários, a governadora Raquel Lyra (PSD) sancionou o projeto de lei que assegura ao Executivo o remanejamento de 20% dos recursos definidos pela Lei Orçamentária Anual 2026 (LOA)

O projeto foi enviado ainda ontem pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em que a Casa deu o aval por 33 votos, em duas discussões.

O PL 4035/2026 também permite ao Estado operações de crédito que envolvem a realização de antecipações da receita relativa ao Orçamento Fiscal até o limite de 15% da receita corrente estimada. A proposta estabelece o limite de financiamento de até R$ 4,91 bilhões para Dívida Fundada, com empréstimos maiores e longos e com garantia pelo ICMS e pelo Fundo de Participação dos Estados.

Na Reserva de Contingência, o documento prevê a utilização até 30 de setembro. Se o Executivo não utilizar os valores até o prazo, os recursos podem ser redirecionados para abertura de novos créditos suplementares. 

Entre outros dispositivos da nova norma, há a possibilidade do Governo do Estado movimentar até 50% dos recursos destinados ao Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (FEM). A gestão também incluiu o teto de suplementação no valor de 70% da despesa fixada para o Consórcio de Transportes da Região Metropolitana do Recife (CTM). 

Entre articulações e entraves

Dois bimestres aguardando a aprovação, o projeto anterior sofreu diversas intervenções da oposição e de governistas. O principal entrave da pauta estava na mudança, ainda no fim da tramitação da LOA de 2026, do limite de remanejamento. A gestão Raquel Lyra queria 20% de limite para reorganizar os recursos; a Alepe aprovou 10%, o que aumentaria a dependência da gestora ao Legislativo. 

Com o impasse, o presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Pedro Freitas (PP), e outros prefeitos foram na quarta-feira (22) até a Alepe para tentar intermediar as negociações com o Executivo. 

Durante a articulação, o presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), ligou para a governadora e solicitou que o Palácio enviasse um novo projeto. O texto foi construído por deputados governistas, de oposição e pelo procurador-geral da Alepe, além da participação do secretário Túlio Vilaça. 

Porto descarta pressão da Amupe

Em declaração à imprensa, o presidente da Alepe negou que o acordo tenha sido firmado devido à pressão dos prefeitos representantes da Amupe

"Não houve pressão em momento algum... Quando eles chegaram, não foi nem dez minutos de conversa", disse. 

Ele também cobrou da governadora: "A gente espera que não tenham mais desculpas, que seja feito o convênio com as prefeituras, que seja repassada a verba que for preciso fazer... Inclusive, as emendas parlamentares dos deputados", declarou.