Após aprovação, Raquel Lyra celebra solução da LOA na Alepe e promete investimentos

Raquel Lyra sancionará o texto que estabelece 20% de remanejamento orçamentário; acordo encerra impasse de quatro meses na Alepe

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 23/04/2026, às 13h08 - Atualizado às 13h27

Raquel Lyra conversa com Álvaro Porto na Alepe, ambos estão em pé
Raquel Lyra celebra finalização de impasse na LOA - Yacy Ribeiro/Secom

Votação e Prazos: A Assembleia Legislativa (Alepe) aprovou o PL 4035/2026 em dois turnos nesta quinta-feira (23), encerrando um impasse de 115 dias.

Limite de Remanejamento: O texto fixa em 20% o índice que o Governo pode realocar sem autorização prévia, ponto central da disputa entre Raquel e a oposição.

Créditos e Empréstimos: O projeto autoriza operações de crédito de até R$ 4,91 bilhões e antecipação de receita de até 15% da receita corrente.

Limites Específicos: Foram estabelecidos tetos diferenciados de suplementação para o FEM (50%) e para o CTM (70%).

Reserva de Contingência: O Executivo tem até 30 de setembro para usar os valores para a finalidade original; após isso, pode redirecionar para novos créditos.

Articulação Política: O acordo foi selado em ligação direta entre o presidente Álvaro Porto e a governadora, com pressão da Amupe (prefeitos) pelo destravamento de convênios.

A governadora Raquel Lyra (PSD) celebrou, nesta quinta-feira (23), a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

"Pernambuco comemora uma grande vitória que não tem bandeira, nem cor partidária. Ela pertence a todos os pernambucanos. Depois de 115 dias protocolados, a LOA, encaminhada pelo Governo de Pernambuco, foi totalmente aprovada na Alepe", citou a gestora 

Alepe aprovou em duas discussões com 33 votos favoráveis o projeto de lei enviado por Raquel ontem. Com a votação, o Executivo conseguiu o limite de 20% para remanejamento orçamentário.

A solução do conflito ocorreu após uma articulação entre o Palácio do Campo das Princesas e a Mesa Diretora da Alepe, mediada pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).

A solução do impasse dá maior flexibilidade para gestão realocar recursos sem necessidade de autorização legislativa prévia, o que, segundo a governadora, permitirá o início de obras estruturadoras e o reforço em áreas como saúde, segurança e educação.

O texto do projeto de lei também autoriza o Estado a realizar operações de crédito por antecipação de receita de até 15% da receita corrente estimada.

Para a dívida fundada, o financiamento poderá chegar a R$ 4,91 bilhões, com garantias baseadas no ICMS e no Fundo de Participação dos Estados (FPE).

A pacificação entre o Executivo e o Legislativo ocorreu após uma ligação do presidente da Alepe, Álvaro Porto (MDB), para a governadora na última quarta-feira. Porto destacou que a construção do entendimento visou superar a "dificuldade" dos projetos anteriores.

Nomes mais próximos de Raquel Lyra como os deputados João Paulo (PT) e Antônio Moraes (PSD) elogiaram a postura de Porto.  

A governadora também agradeceu aos nomes da oposição pela aprovação. Anteriormente, Raquel já tinha alfinetado adversários ao dizer que políticos tentavam atrapalhar Pernambuco. 

O travamento da LOA teve origem na tentativa de reduzir o poder de remanejamento de Raquel Lyra para 10%, o que aumentaria a dependência do governo em relação à Assembleia em ano eleitoral.

O impasse envolveu vetos parciais da governadora, a promulgação monocrática da peça orçamentária por Álvaro Porto e a posterior judicialização no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que havia suspendido a tramitação da lei.

Com a nova lei, o governo também define prazos para a Reserva de Contingência: caso os valores não sejam utilizados para a finalidade original até 30 de setembro, o montante poderá ser redirecionado para a abertura de novos créditos suplementares.

Pernambuco era a única unidade federativa do país que ainda não havia aprovado o orçamento de 2026, situação que, segundo a Amupe, já ameaçava a formalização de convênios e o repasse de recursos para as prefeituras na ponta.