Priscila Krause alfineta gestão do Recife ao falar que Raquel Lyra não "desperdiça" dinheiro

Fala de Priscila Krause ocorre em meio a críticas da oposição sobre aplicação de aditivos em obras do Recife. João Campos já defendeu execuções

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 17/06/2026, às 12h22 - Atualizado às 13h33

Imagem Priscila Krause alfineta gestão do Recife ao falar que Raquel Lyra não "desperdiça" dinheiro

Na terça-feira (16), a vice-governadora Priscila Krause (PSD) criticou gestões passadas do Governo de Pernambuco e indiretamente a Prefeitura do Recife atual.

Durante a inauguração de três novas unidades prisionais no Complexo de Araçoiaba, na Região Metropolitana do Recife, a gestora estadual exaltou a governadora Raquel Lyra ao dizer que a atual gestão tem rigor com as contas públicas e que "o dinheiro público não será desperdiçado, seja com o mau uso, com as obras inacabadas". 

Priscila Krause relembrou que as obras do complexo penitenciário estavam paradas há mais de uma década. Segundo ela, as gestões passadas mantiveram quase R$ 50 milhões em verbas federais parados em contas bancárias por mais de doze anos sem concluir a intervenção estrutural.

A fala de Priscila Krause ocorreu um dia depois de uma reportagem do Diário de Pernambuco indicar um novo aditivo financeiro de R$ 11,5 milhões nas obras de requalificação da orla de Boa Viagem, que começaram em setembro de 2023.

O acréscimo elevou o custo total do contrato para R$ 146,6 milhões, um aumento acumulado de 33,5% em relação ao orçamento original.

A Prefeitura do Recife prevê concluir toda a intervenção em setembro deste ano. A gestão municipal alega que a alta complexidade do sistema de drenagem e o volume de fortes chuvas registrado ao longo de 2025 funcionaram como fatores determinantes para o adiamento do cronograma. A previsão desde o fim de 2025 é que as obras terminem em setembro de 2026. 

O projeto de engenharia na Orla Parque abrange aproximadamente oito quilômetros da faixa litorânea de Boa Viagem. Segundo a gestão, as obras estão em 70% de execução técnica nos canteiros. Atualmente, os trabalhadores concentram os esforços na segunda etapa, que compreende os trechos entre o Parque Dona Lindu e a Pracinha de Boa Viagem, além do perímetro entre o Segundo e o Terceiro Jardim.

O plano contempla a renovação das redes de infraestrutura urbana, ampliação das calçadas para pedestres, requalificação da ciclovia, substituição do piso do calçadão, reforço na acessibilidade e a instalação de 510 postes de iluminação em LED. O contrato também prevê a modernização de 13 quadras esportivas e a ampliação da estrutura do programa Praia Sem Barreiras com uma área permanente de apoio.

A liberação desse novo termo financeiro reforçou o cenário de embate político na capital. A bancada de oposição critica com frequência a presença de aditivos contratuais em obras sob a responsabilidade da Prefeitura do Recife. Parlamentares adversários, como os vereadores Thiago Medina (PL) e Eduardo Moura (Novo), utilizam o apelido de "Joãozinho Aditivo" desde 2025 para tentar associar as alterações contratuais a falhas de planejamento ou estouro de orçamento por parte da gestão do PSB.

O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB), afirmou em maio a aplicação do aditivo e reclamou que os oponentes estão politizando um item comum da engenharia civil.

O socialista explicou que as modificações em contratos constituem rotinas legais e técnicas para estender prazos ou corrigir imprevistos de solo, contando com avaliações de engenheiros e auditorias regulares do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE).

João Campos relembrou que a prefeitura realiza o saneamento completo de uma orla que completa cem anos, enfrentando interferências em redes subterrâneas de água, gás e eletricidade que não tinham georreferenciamento preciso nos levantamentos antigos e que os operários só localizaram durante as escavações.