João Campos rebate apelido de "Joãozinho aditivo" dado pela Oposição e critica politização de tema

Em entrevista, João Campos defendeu que alterações contratuais que geram um aditivo em obras públicas têm critérios técnicos e regulamentados

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 26/05/2026, às 07h21 - Atualizado às 08h03

joão campos usa capacete de obras, está com documento em mãos. ao fundo retroescavadeira e um buraco grande
João Campos rebate apelido e defende que aditivos não podem ser politizados - Edson Holanda/Prefeitura do Recife

Reação ao Apelido: João Campos (PSB) rebateu a alcunha de "Joãozinho Aditivo" usada pelos vereadores Thiago Medina (PL) e Eduardo Moura (Novo) desde 2025 para desgastar a gestão municipal.

Defesa Técnica: Em entrevista ao podcast Fala Ordinário, o socialista explicou que aditivos contratuais são rotinas legais da engenharia para estender prazos ou corrigir imprevistos no solo, sendo todos auditados pelo Tribunal de Contas.

Alerta de Politização: O ex-prefeito criticou a oposição por tentar transformar procedimentos administrativos comuns em pauta eleitoral.

Contra-ataque a Raquel: O socialista aproveitou o espaço para criticar o ritmo de entregas da governadora Raquel Lyra (PSD) na área da educação infantil.

Cálculo da Oposição: João Campos declarou que, enquanto o Recife abriu 107 creches, o governo estadual entregou apenas três. Ele ironizou o cronograma de Raquel, afirmando que no ritmo atual o estado levaria "um quarto de milênio" (250 anos) para atingir a meta prometida de 250 unidades.

O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), abordou a questão dos aditivos em obras públicas da capital pernambucana, recorrentemente alvos da oposição.

A declaração ocorreu na segunda-feira (25), durante participação no podcast Fala Ordinário. Durante a entrevista, o socialista criticou o uso político do assunto e defendeu que as alterações contratuais respondem a critérios técnicos da engenharia.

O termo "Joãozinho Aditivo" se popularizou entre membros da oposição desde 2025. Um dos maiores utilizadores do apelido são os vereadores Thiago Medina (PL) e Eduardo Moura (Novo), que criticam o volume de aditivos que constavam no Diário Oficial do Recife. O grupo tenta atribuir os aditivos com má gestão, aumento de custos e supostos esticamentos no orçamento.

Diversos vereadores e outras autoridades adversários do ex-prefeito alegam que os aditivos em obras ultrapassariam o valor original da obra e seriam, supostamente, superfaturadas. 

Segundo o político, o tema é desvirtuado e precisa ser tratado com base em noções técnicas. Ele afirmou que as alterações em contratos governamentais nem sempre envolvem aumento de repasses financeiros. "Primeiro, é importante lembrar, quando fala de aditivo, pode ser inclusive de prazo, tá? Ah, era para acabar em dezembro, tem mais dois meses, um aditivo de prazo de contrato", explicou João Campos.

O ex-prefeito também comparou as obras públicas com reformas domésticas comuns ao falar que qualquer construção, desde a pintura de um quarto até o levantamento de um prédio, está sujeita a mudanças. "Você fazer uma obra, você pode ter imprevistos e isso é a coisa comum na vida pessoal da gente. Encontrei um problema no solo, tá com problema na impermeabilização, corrige isso", detalhou o pré-candidato.

Ele ainda citou que todas essas adequações entre o projeto inicial e a execução prática passam por avaliações. O processo exige que engenheiros atestem tecnicamente a necessidade de qualquer mudança e auditem no Tribunal de Contas. 

João também afirmou que seria perigoso politizar procedimentos comuns às engenharias. Ele defendeu que as falhas de projeto revistas no próprio canteiro de obras são naturais e regulamentadas. "É fundamental explicar isso, porque senão você transforma uma questão administrativa numa pauta política e sem uma observação aos cuidados técnicos do que de fato aquilo é", concluiu.

O ex-prefeito do Recife aproveitou para alfinetar a gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) ao dizer que, enquanto Pernambuco tem o orçamento oito vezes maior que o Recife, Raquel teria feito três creches em três anos e a PCR fez 107. 

"Pernambuco com orçamento oito vezes maior faz três. Eu até disse, se for nesse ritmo, uma por ano dá um quarto de milênio, dá 250 anos para terminar tudo. Então um ritmo é outro. É um ritmo que parece que dá para esperar. Não dá para esperar. Você tem que ter pressa fazer com qualidade, mas fazer com urgência, com senso de urgência", declarou o socialista.