O que Eduardo da Fonte pode ganhar com trombada com Raquel?

Quem acompanha política estadual, sabe que Eduardo da Fonte sempre ficou em cima do muro a espera da melhor decisão em prol do PP. Dessa vez, não

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 23/03/2026, às 09h27 - Atualizado às 10h06

Eduardo, Gleide e Lula da Fonte
Eduardo, Gleide e Lula da Fonte, na chegada da deputada estadual - PP/Divulgação

Nos bastidores, a saída do PP da base de Raquel Lyra foi tratada como praticamente certa após a janela partidária.

A movimentação surpreendeu pelo tamanho do revés imposto a Eduardo da Fonte, conhecido pelo pragmatismo político.

A governadora exonerou nomes ligados ao PP em órgãos estratégicos, como Lafepe, Ceasa e Porto do Recife, após sinais de aproximação com João Campos.

Apesar disso, aliados levantam a hipótese de uma jogada calculada de Da Fonte, mirando vantagens políticas e financeiras, como maior controle do fundo partidário.

Mesmo fora do governo, o PP segue relevante no tabuleiro, com base municipal forte e potencial de influência na articulação de João Campos para 2026.

Na semana passada, na esteira das definições sobre as chapas majoritárias, perto do fim da janela partidária, nos bastidores políticos locais era quase unanimidade o desfecho da relação do PP com o governo Raquel Lyra.

A maior parte dos comentários gira em torno de um ineditismo: jamais o deputado federal Eduardo da Fonte, sempre apontado como pragmático, havia levado um revés deste tamanho e natureza, sendo enxotado do governo do Estado.

Na semana anterior, o site Jamildo.com já havia registrado que os aliados da governadora Raquel Lyra já esperavam a entrega de cargos, depois da especulada aproximação do PP com o palanque de João Campos. As entregas não aconteceram. E as degolas saíram no Diário Oficial logo depois.

O PP contava com cargos em vários órgãos, inclusive Detran. Ainda nesta semana, na terça-feira (17), Raquel Lyra decidiu exonerar os dirigentes Plínio Pimentel (Lafepe), Bruno Rodrigues (Ceasa) e Paulo Nery (Porto do Recife), todos indicados pelo PP. Porém, o secretário de Turismo, Kaio Maniçoba, não foi exonerado, apesar de ser aliado de Dudu, devido a uma possível filiação ao PSDB, partido que voltou a integrar o entorno do governo.

Entretanto, uma voz dissonante, entre os aliados palacianos, viu uma suposta jogada do pragmático Eduardo Fonte.

"Isto tudo foi de caso pensando com o PSB, o que dá para perceber com a entrada de Gleide Ângelo (saindo do PSB) no partido dele (PP)", explica a fonte, referindo-se a uma das maiores puxadoras de voto dos socialistas.

"Além disto, tem a questão da divisão do fundo partidário com os aliados que iriam formar a chapa deles. Sabia-se que haveria defecções. Se eles deixam o partido (para ficar com Raquel), ele não terá mais a obrigação de ajudá-los. Sobra mais fundo partidário para ele e o filho", arremata. Teria sido isto? Vá saber...

Como a política é dinâmica, Eduardo da Fonte tem sua força, com a ajuda dos prefeitos que formam seu grupo. O que interessa ao pré-candidato João Campos, mesmo com a indefinição da aprovação da Federação Progressista, uniria União Brasil (de Miguel Coelho, que pulou para o lado de Raquel) e PP. Não teve casamento, nem namoro restou, foi cada um para um lado. Segue o baile