Interlocutores do Palácio avaliam que movimentação do deputado pode levar a entrega de cargos e abrir espaço para novas articulações políticas
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 13/03/2026, às 19h03 - Atualizado às 19h10
Aliados de Raquel Lyra avaliam saída de Eduardo da Fonte da base estadual.
Possível aproximação do PP com João Campos pressiona cenário político.
Base governista discute redistribuição de cargos e novas alianças.
Conversas entre Raquel Lyra e Marília Arraes também são acompanhadas.
Aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) avaliam, nos bastidores, que o presidente estadual do PP, Eduardo da Fonte, pode deixar a base do governo estadual nos próximos dias. A definição dependeria das composições partidárias até o fim da janela de filiações, em 3 de abril.
Segundo relatos reservados de integrantes do entorno da governadora, o Palácio do Campo das Princesas já considera a possibilidade de saída do grupo político do parlamentar do governo.
A eventual decisão de Eduardo da Fonte de integrar o palanque do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao lado do senador Humberto Costa (PT), altera o cenário político estadual e provocado reações dentro do governo.
Interlocutores da governadora afirmam que a movimentação do deputado teria “bagunçado o tabuleiro político” e ampliado as possibilidades de articulação da gestora com outras legendas. Esses aliados avaliam que a saída do grupo de Eduardo da Fonte da base estadual seria um movimento positivo para Raquel. “Caso se confirme e ele deixe o governo, abre muito espaço. O que sobra permite negociar com outros partidos”, disse um aliado da governadora, sob reserva.
Entre os cenários cogitados nos bastidores estão uma eventual reaproximação com o PDT e o PSDB, além de conversas com o Republicanos, que, segundo aliados, estaria avaliando o espaço no campo governista com a chegada de Silvio Costa Filho para concorrer ao Senado no palanque de Raquel na atual fotografia.
Atualmente, o PP ocupa diversos espaços na administração estadual. Desde o apoio declarado à governadora no segundo turno das eleições de 2022, o partido passou a comandar, por exemplo, o Porto do Recife, a LAFEPE, a Secretaria de Turismo e Lazer e a Arena de Pernambuco.
Na Assembleia Legislativa, a legenda também integra a base governista e figura como a maior bancada. Apesar disso, o cenário pode mudar. Parlamentares ouvidos reservadamente afirmam que podem deixar o partido caso a aproximação de Eduardo da Fonte João Campos avance. “Vai ficar esvaziado”, avaliou um deputado estadual sob condição de anonimato.
Recentemente, o deputado estadual Antônio Moraes declarou que poderia migrar para o PSD caso essa movimentação se confirme. Nos bastidores, também se comenta que a filiação da deputada estadual Delegada Gleide Ângelo ao PP, deixando o PSB, confirmada na quinta (12), seria uma tentativa de reforçar a bancada da legenda e manter interlocução com João.
Enquanto isso, aliados da governadora acompanham também as conversas em andamento entre Raquel Lyra e a ex-deputada federal Marília Arraes, que disputou o governo do estado em 2022 e fala que a candidata ao Senado é irreversível.
Interlocutores avaliam que uma eventual composição que reúna Marília - um nome mais à esquerda - poderia ampliar o alcance eleitoral da governadora. “É muito positiva para Raquel essa aproximação”, afirmou um integrante da base governista.
Segundo aliados do governo, os detalhes da conversa entre Raquel Lyra e Marília Arraes não foram compartilhados com o entorno político da governadora. “O que aconteceu nessa conversa, só elas sabem”, disse um interlocutor.
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