Justiça Federal suspende auditoria sobre hospital do marido de Priscila Krause ao enxergar má fé

Divulgação de material ocorreu após critica de João Campos sobre polêmica do hospital do marido de Priscila Krause, vice de Raquel Lyra

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 01/10/2026, às 12h47 - Atualizado às 13h09

Imagem Justiça Federal suspende auditoria sobre hospital do marido de Priscila Krause ao enxergar má fé

A 23ª Vara Federal de Pernambuco suspendeu a cobrança de R$ 905 mil e os efeitos da auditoria do Denasus contra a Casa de Saúde Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns.

O caso entrou no debate da TV Jornal nesta quinta-feira (1º) após João Campos acusar Priscila Krause de irregularidades na unidade médica e Raquel Lyra rebater informando a suspensão judicial do processo.

A Justiça Federal reconheceu que os fiscais adotaram postura de presunção de má-fé e rejeitaram justificativas médicas de 46 internações oncológicas sem examinar o mérito.

O Denasus concedeu prazo de apenas cinco dias para a manifestação do hospital, contrariando o período legal de quinze dias úteis previsto pelo Ministério da Saúde.

O relatório judicial descartou a existência de atendimentos fantasmas ou fraudes materiais, apontando apenas divergências de formulários e digitação de datas.

O valor cobrado equivale a menos de 1,65% de todo o montante de repasses federais auditados no intervalo de 2023 a 2025.

A determinação veda o bloqueio de receitas do SUS e impede a inclusão da entidade no Cadin, preservando os serviços de hemodiálise e oncologia na região

A 23ª Vara Federal de Pernambuco concedeu liminar para suspender todos os efeitos do relatório final da auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) contra a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. O hospital pertence à família do marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).

A decisão veio a público após o candidato ao Governo do Estado João Campos (PSB) utilizar a apuração federal para confrontar a governadora Raquel Lyra (PSD) durante o debate da TV Jornal, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (1º).

No primeiro bloco, o socialista acusou a gestão estadual de repassar aditivos de mais de R$ 100 milhões para a unidade e citou supostas fraudes em tratamentos de câncer e hemodiálise.

Raquel Lyra respondeu no próprio debate que a auditoria sobre o hospital vinculado ao marido de Priscila continha falhas processuais e que a Justiça Federal suspendeu a cobrança por identificar direcionamento na fiscalização.

No despacho judicial, o juiz federal Deivisson Manoel de Lima apontou que a equipe de fiscalização adotou postura de presunção de má-fé contra a entidade hospitalar. O órgão federal determinou a devolução de valores que alcançam R$ 905 mil, incluindo R$ 337 mil referentes a 46 autorizações de internação hospitalar (AIHs), sem analisar as defesas técnicas apresentadas por médicos especialistas.

O magistrado registrou que a apuração do Denasus fixou apenas cinco dias úteis para a resposta do hospital, descumprindo a norma do próprio Ministério da Saúde, que assegura o prazo regulamentar de quinze dias úteis.

A decisão da Justiça Federal afirmou expressamente que os auditores não encontraram procedimentos fantasmas, inexecução física de atendimentos ou qualquer fraude material. As inconformidades apontadas pelo órgão se limitaram a falhas de preenchimento administrativo e divergências em datas de digitação entre prontuários e laudos anatomopatológicos de biópsias feitas antes do internamento dos pacientes.

O juiz considerou a exigência de devolução desproporcional por representar menos de 1,65% dos R$ 55,8 milhões repassados pelo Ministério da Saúde à instituição entre janeiro de 2023 e julho de 2025. O magistrado também considerou que os auditores interferiram na autonomia do ato médico ao tentar reclassificar técnicas cirúrgicas decididas pelos cirurgiões responsáveis.

Com a concessão da tutela provisória, a União está proibida de efetuar cobranças, reter repasses futuros do SUS ou inscrever a Casa de Saúde no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).