João Campos e Raquel Lyra trocam acusações sobre vice com Vorcaro, hospital do marido de Priscila e contrato de publicidade

Primeiro e segundo bloco de último debate teve troca de acusações entre João Campos e Raquel Lyra sobre polêmicas dos candidatos e seus vices com a Justiça

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 01/10/2026, às 11h26 - Atualizado às 12h19

João Campos e Raquel Lyra em meio a apoiadores
Marlon Diego - Miva Filho

Raquel Lyra questionou João Campos sobre apurações da Polícia Federal envolvendo pagamentos de Daniel Vorcaro ao candidato a vice da Frente Popular, Carlos Costa.

João Campos rebateu afirmando que Carlos Costa presta consultoria legal à Febraban e contra-atacou citando auditorias do Ministério da Saúde no hospital ligado à família do marido de Priscila Krause, além de transferências a um primo da governadora.

Raquel informou que a Justiça Federal suspendeu o processo administrativo contra o hospital de Garanhuns por falta de provas de fraude e afirmou que seus contratos públicos seguem regras legais.

No bloco de educação, João apontou queda em índices de ensino integral e ironizou a meta de entrega de 100 creches em dois meses, enquanto Raquel sustentou a realização de obras em escolas técnicas e cobrou o adversário por atrasos na gestão municipal do Recife.

O último debate televisivo antes do primeiro turno das eleições de 2026, feito pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação na manhã desta quinta-feira (1º), começou com confrontos entre os líderes nas pesquisas de intenção de voto.

A governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) usaram os dois primeiros blocos para trocar acusações sobre investigações policiais, contratos estaduais e temas ligados aos respectivos candidatos a vice.

O primeiro atrito ocorreu na rodada de perguntas de tema livre do bloco inicial. Raquel questionou o socialista sobre apurações da Polícia Federal a respeito de repasses financeiros do empresário Daniel Vorcaro ao candidato a vice na chapa da Frente Popular, Carlos Costa. A gestora perguntou se João tinha conhecimento dos pagamentos antes de formalizar o convite de chapa.

João afirmou que o companheiro de chapa atua desde 2019 na assessoria de bancos por meio da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e realiza serviços profissionais regulares. Em seguida, o ex-prefeito contra-atacou mencionando a vice-governadora Priscila Krause (PSD).

O candidato do PSB citou auditorias federais sobre repasses destinados à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, hospital em Garanhuns ligado à família do marido de Priscila.

João apontou supostas irregularidades em procedimentos de oncologia e hemodiálise e mencionou o andamento de um pedido de impeachment contra a vice na Assembleia Legislativa. O postulante também citou notícias sobre repasses de R$ 1,7 milhão feitos a Valdomiro Teixeira, primo da governadora, por uma empresa prestadora de serviços ao Estado.

Na réplica, Raquel declarou que a auditoria do Ministério da Saúde sobre a unidade médica de Garanhuns foi suspensa por decisão liminar da 23ª Vara Federal de Pernambuco. A decisão judicial registrou indícios de má-fé da equipe fiscalizadora e afastou a ocorrência de atendimentos falsos ou fraude material, apontando que as inconsistências se limitavam ao preenchimento de formulários administrativos.

Sobre o parente e os contratos de publicidade, a governadora sustentou que órgãos de controle e tribunais já validaram os processos e que as notícias citadas pelo adversário não têm relação com a administração estadual.

No segundo bloco, com temas sorteados, os dois candidatos voltaram a colidir na discussão sobre educação. João acusou o governo estadual de reduzir a cobertura de ensino integral de 69% para 60% e questionou o ritmo de entrega das creches do programa Juntos pela Educação.

"Ela diz que entregou 25 creches em 3 anos e 10 meses e que nos próximos dois meses vai entregar 100. Vocês acreditam nisso? Eu não sei nem se a candidata acredita que em dois meses vai fazer 100 creches, se em 3 anos e 10 meses não fez nem 25", declarou João.

Raquel defendeu as entregas da gestão, mencionando a compra de 1.800 novos ônibus escolares, o fornecimento de fardamento produzido no Polo de Confecções do Agreste e a execução de obras em 15 escolas técnicas. A governadora rebateu a fala sobre os prazos físicos e cobrou o candidato socialista pelo atraso no fornecimento de uniformes para a rede municipal de ensino da capital.

O candidato Ivan Moraes (PSOL) participou dos dois blocos cobrando clareza ideológica dos oponentes em relação à disputa presidencial e criticou o alinhamento de ambos em obras que geram impactos ambientais, citando o projeto de instalação da Escola de Sargentos das Armas na Região Metropolitana do Recife.