Primeira mulher eleita governadora de Pernambuco, Raquel Lyra tenta renovar o mandato após trajetória como deputada e prefeita de Caruaru
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 21/09/2026, às 14h04
Raquel Lyra disputa a reeleição ao Governo de Pernambuco pelo PSD.
Governadora foi deputada estadual e prefeita de Caruaru antes de chegar ao Palácio do Campo das Princesas.
Programa de governo prevê ações em educação, saúde, segurança, infraestrutura e mobilidade.
Candidata declarou patrimônio de R$ 359,4 mil e já recebeu cerca de R$ 12 milhões para a campanha.
Aos 47 anos, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), disputa a reeleição ao Governo do Estado nas eleições de 2026. Primeira mulher eleita para comandar Pernambuco, ela tem novamente Priscila Krause (PSD) como candidata a vice-governadora.
Raquel Teixeira Lyra Lucena nasceu em 2 de dezembro de 1978, no Recife. É formada em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é viúva e tem dois filhos.
A candidatura de 2026 é feita pelo PSD, dentro da coligação Pernambuco de Coração, formada por PSD, Podemos, Avante, federação PSDB-Cidadania e federação União Progressista, composta por União Brasil e Progressistas. O registro da chapa consta como deferido pela Justiça Eleitoral. O limite de gastos para o primeiro turno é de R$ 11.562.724.
Antes de ingressar na política eleitoral, Raquel Lyra construiu carreira no serviço público. Ainda durante a faculdade, foi aprovada em concurso para o Banco do Nordeste. Em seguida, tornou-se delegada da Polícia Federal, função que exerceu entre 2002 e 2005.
Depois, ingressou na Procuradoria-Geral do Estado de Pernambuco como procuradora. Entre 2007 e 2010, durante o primeiro governo de Eduardo Campos, chefiou a Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do governo estadual.
A primeira eleição de Raquel para um cargo público ocorreu em 2010, quando foi eleita deputada estadual pelo PSB. Durante o mandato, licenciou-se para assumir a Secretaria Estadual da Criança e da Juventude, entre 2011 e 2012, também na gestão Eduardo Campos.
De volta à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), presidiu a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça. Em 2014, foi reeleita deputada estadual.
Dois anos depois, mudou de partido e disputou a Prefeitura de Caruaru pelo PSDB. Foi eleita em 2016 e reeleita em 2020. Em abril de 2022, deixou o cargo para disputar o Governo de Pernambuco.
Naquele ano, venceu a eleição no segundo turno e se tornou a primeira mulher eleita governadora do estado. Priscila Krause foi eleita vice-governadora.
Raquel Lyra pertence a uma família com trajetória política em Pernambuco. É filha de João Lyra Neto, que foi prefeito de Caruaru por dois mandatos, vice-governador e governador do Estado em 2014. É também sobrinha de Fernando Lyra, ex-deputado federal e ex-ministro da Justiça no governo José Sarney. Seu avô, João Lyra Filho, também governou Caruaru por dois mandatos.
A principal base política da família está no Agreste, especialmente em Caruaru. A trajetória dos Lyra se cruzou durante décadas com a de outro grupo tradicional da política pernambucana, os Arraes, liderados pelo ex-governador Miguel Arraes.
Nos anos 1990, João Lyra Neto integrou a base de Arraes na Assembleia Legislativa. Anos depois, tornou-se vice-governador de Eduardo Campos e permaneceu no cargo por mais de sete anos. Em 2014, assumiu o Governo de Pernambuco quando Campos deixou o posto para disputar a Presidência da República.
A relação política entre os dois grupos mudou naquele mesmo ano. Eduardo Campos escolheu Paulo Câmara como candidato do PSB ao governo estadual, deixando João Lyra Neto fora da disputa pela sucessão.
Dois anos depois, o PSB também não lançou Raquel Lyra para a Prefeitura de Caruaru. Ela deixou a legenda e se filiou ao PSDB, partido pelo qual venceu a eleição municipal.
Desde então, Raquel passou a enfrentar candidatos ligados ao PSB em diferentes disputas eleitorais. Em 2022, venceu no segundo turno Marília Arraes (Solidariedade), também neta de Miguel Arraes. Marília havia deixado o PSB em 2016 e, posteriormente, passou pelo PT antes de disputar o governo estadual.
A trajetória dos dois grupos políticos volta a se encontrar na eleição de 2026. Desta vez, Raquel Lyra enfrenta João Campos (PSB), filho de Eduardo Campos e presidente nacional do PSB.
Além de Raquel e João Campos, a disputa pelo Governo de Pernambuco tem Camila Falcão (UP), Guilherme Fonseca (PSTU), Ivan Moraes (PSOL), Renan Hallais (Missão) e Victor Assis (PCO). O TRE-PE informou que as candidaturas que estarão nas urnas foram definidas após a análise dos registros, embora parte dos candidatos ainda possa disputar sob efeito de recursos.
O programa de governo apresentado pela candidatura de Raquel Lyra para um eventual segundo mandato está dividido em seis eixos: Educação, Ciência e Tecnologia; Saúde e Qualidade de Vida; Segurança, Cidadania e Direitos Humanos; Desenvolvimento Econômico e Infraestrutura; Meio Ambiente e Cidades; e Gestão, Transparência e Combate à Corrupção.
Entre as propostas estão a conclusão e a equipagem de 250 novas creches, com previsão de criação de 60 mil vagas, além da ampliação do ensino integral e profissionalizante. O documento também prevê medidas para expansão da rede hospitalar e construção de maternidades regionais.
Na segurança pública, a candidatura prevê a contratação de mais de 7 mil profissionais. Para infraestrutura, estão previstas ações de recuperação de rodovias e a execução do Arco Metropolitano.
Na mobilidade, o programa inclui a recuperação do metrô do Recife, a implantação de 100 ônibus elétricos, a manutenção da Tarifa Única na Região Metropolitana e a expansão de estruturas destinadas a ciclistas.
A proposta das 250 creches já havia sido apresentada pela candidatura em 2022. Em 2026, o programa voltou a estabelecer a meta, agora com previsão de conclusão e equipagem das unidades.
Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Raquel Lyra informou patrimônio de R$ 359.498,33. Entre os bens declarados estão um apartamento em Jaboatão dos Guararapes e aplicações financeiras.
Na prestação de contas da campanha de 2026, a candidatura havia declarado cerca de R$ 12 milhões em recursos recebidos até meados de setembro. Desse total, mais de R$ 11,8 milhões eram provenientes de repasses partidários e R$ 120 mil de doações de pessoas físicas.
O Diretório Nacional do PSD destinou mais de R$ 11,6 milhões à campanha, enquanto o diretório estadual do partido repassou mais de R$ 190 mil. Os valores de arrecadação são parciais e podem sofrer alterações à medida que novas prestações são apresentadas à Justiça Eleitoral.
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