Após repercussão sobre vídeo de Raquel Lyra em 2025 sobre laqueadura, João e Ivan criticam; gestora pede desculpas

Repercussão de vídeo de 2025 em que Raquel fala para realizar uma laqueadura sem uma mulher saber gerou pedido de desculpas e críticas dos adversários

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 21/09/2026, às 07h49 - Atualizado às 08h17

Imagem Após repercussão sobre vídeo de Raquel Lyra em 2025 sobre laqueadura, João e Ivan criticam; gestora pede desculpas

No domingo (20), repercutiu nas redes sociais a divulgação de um vídeo da governadora Raquel Lyra (PSD), gravado em maio de 2025. O caso provocou reações na campanha eleitoral ao Governo de Pernambuco, com pronunciamentos dos três principais nomes da disputa. 

Na gravação, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugere a realização de uma laqueadura em uma paciente sem o consentimento dela. Após a circulação das imagens, a gestora pediu desculpas publicamente. Os candidatos adversários João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) criticaram a fala.

O vídeo foi publicado originalmente pelo portal Metrópoles e mostra uma situação durante a inauguração da ala pediátrica e da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste.

No diálogo de 13 segundos, uma mulher relata a situação de uma gestante que já era mãe de sete filhos. Raquel reage ao relato: "Ai, meu Deus! Aí tem que fazer laqueadura, visse? A gente bota na fila da laqueadura. Isso eu posso fazer". Em seguida, após uma frase inaudível da interlocutora, a governadora afirma: "Mas faz sem ela saber, vai!".

Pedido de desculpas de Raquel Lyra

Após a repercussão do caso, Raquel Lyra publicou um vídeo e uma nota oficial nas redes sociais para se retratar sobre o episódio.

"Como mãe e como mulher, eu sei o desafio que é decidir sobre planejamento familiar. Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas, foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro. O que eu tenho trabalhado sempre, como prefeita, como governadora, é que toda mulher tenha direito à informação e a planejamento familiar através da rede pública de saúde", declarou a candidata.

A assessoria da governadora classificou a declaração como "infeliz" e sustentou que a divulgação de um vídeo antigo busca desviar a atenção do debate propositivo da eleição.

Críticas de João Campos e Ivan Moraes

O candidato da Frente Popular, João Campos (PSB), se manifestou na noite do domingo repudiando a fala da governadora.

"Assisti com indignação ao vídeo em que a candidata usa essa frase pra sugerir a laqueadura de uma gestante, sem ela saber. A lei é clara: esterilização exige manifestação expressa da vontade da mulher. Autoridades e gestores públicos têm o dever legal e ético de garantir direitos e proteger a população, jamais de sugerir práticas ilícitas ou violações da integridade física. Fazer 'sem ela saber' não é cuidado. É violência. É crime previsto em lei", escreveu o socialista.

O postulante do PSOL, Ivan Moraes, também se posicionou sobre o caso nas redes sociais, afirmando que "o corpo de uma mulher não deve ser propriedade do Estado".

"A fala aponta um problema de violação grave dos direitos reprodutivos e da dignidade humana. Precisamos de respostas: o estado de Pernambuco tem garantido que as laqueaduras sigam rigorosamente a autonomia da paciente e que nenhum procedimento é feito em seu corpo sem seu consentimento?", questionou Ivan. O candidato também cobrou a divulgação dos relatórios sobre violência obstétrica previstos na Lei Estadual 18.437/2023 para as comissões de Direitos da Mulher e de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

A candidata a vice-governadora na chapa do psolista também comentou o caso: "Não estamos falando de uma simples brincadeira ou de uma frase sem consequências. Estamos falando de um procedimento cirúrgico que, segundo a legislação brasileira, só pode ser realizado mediante consentimento livre e esclarecido da paciente. O direito de decidir sobre o próprio corpo é uma conquista das mulheres e deve ser tratado com a máxima seriedade".

O que prevê a legislação

No Brasil, a realização de laqueadura é regulamentada pela Lei nº 9.263/1996, conhecida como Lei do Planejamento Familiar. O texto legal determina que o procedimento cirúrgico exige a manifestação expressa e voluntária da paciente, formalizada por escrito e assinada após o recebimento de orientações sobre riscos, efeitos colaterais e métodos contraceptivos alternativos.

O artigo 15 da legislação estabelece que realizar esterilização cirúrgica sem o consentimento da paciente é crime. A pena prevista varia de dois a oito anos de reclusão, além do pagamento de multa.