Raquel Lyra consegue direito de resposta no guia eleitoral de João Campos após falas sobre salário

TRE concedeu para Raquel Lyra tempo da campanha de João Campos no rádio, TV e nas redes sociais após propaganda questionar salário e patrimônio da gestora

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 19/09/2026, às 08h21 - Atualizado às 10h05

João Campos sorriem sentados frente a frente no Palácio do Campo das Princesas
Hesíodo Goes/Governo de Pernambuco

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) concedeu à governadora Raquel Lyra (PSD)  direitos de resposta na campanha de 2026 no rádio, na televisão e na internet da coligação Frente Popular de Pernambuco.

A decisão ocorre após a propaganda da chapa de João Campos (PSB) explorar a remuneração da gestora como procuradora do Estado e questionava dados de seu patrimônio.

As medidas foram determinadas na sexta-feira (18) pelo desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno, que apontou "grave descontextualização" para induzir o eleitorado ao erro, destacando o uso de um saldo de R$ 1,00 em conta-corrente como se fosse a totalidade dos bens declarados da candidata, além da acusação de recebimento de valores inconstitucionais.

Na propaganda de rádio e televisão, a Justiça Eleitoral concedeu 1 minuto de resposta no início do programa em bloco da Frente Popular. A determinação também alcança o plano de mídia de inserções de 30 segundos, após a coligação governista registrar 210 veiculações da peça em diferentes emissoras. A campanha de João Campos tem até 36 horas para entregar os arquivos às geradoras.

Nas redes sociais, o tribunal determinou a retirada do vídeo publicado pela oposição. A resposta de Raquel Lyra precisará ser veiculada no mesmo perfil com os mesmos recursos de destaque e com investimento idêntico em impulsionamento pago, ficando disponível pelo dobro do tempo em que a gravação original circulou.

O confronto sobre o tema começou no debate da Rádio Cidade de Caruaru, no dia 11 de setembro, quando João Campos chamou a governadora de "fura-teto" e cobrou a devolução de supostos recursos excedentes aos cofres públicos.

A Frente Popular sustentava que a chefe do Executivo deveria receber o subsídio do cargo eletivo, fixado em cerca de R$ 22 mil, em vez dos vencimentos brutos de procuradora do Estado, acima dos R$ 60 mil mensais somando vantagens da carreira. A tese chegou a ser liberada pela Justiça Eleitoral no início da semana para uso em um site temático mantido pelo comitê socialista.

Raquel Lyra rebateu as acusações afirmando que não acumula salários e que a opção pela remuneração do cargo efetivo, conquistado por concurso público em 2005, encontra respaldo no artigo 6º da Lei Estadual nº 18.139/2023, aprovada pela Assembleia Legislativa. A defesa da governadora também reiterou a regularidade de sua declaração de bens e de suas contas prestadas aos órgãos de controle.