Quem é João Campos, ex-prefeito do Recife e candidato ao governo de Pernambuco

Filho de Eduardo Campos e ex-prefeito do Recife, socialista disputa pela primeira vez o Governo de Pernambuco contra Raquel Lyra

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 22/09/2026, às 13h22

João Campos, pré-candidato ao governo do Estado, em Suape
João Campos, pré-candidato ao governo do Estado, em Suape - Foto: Edson Holanda

João Campos disputa pela primeira vez o Governo de Pernambuco em 2026.

Filho de Eduardo Campos, ele foi deputado federal e prefeito do Recife.

Candidato apresenta propostas para saúde, segurança, educação e desenvolvimento econômico.

João declarou R$ 2,89 milhões em bens; seu vice, Carlos Costa, informou R$ 3,72 milhões.

Filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes, João Henrique de Andrade Lima Campos, de 32 anos, disputa pela primeira vez o Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Engenheiro civil, o candidato do PSB tem como principal adversária na corrida estadual a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição.

A chapa de João Campos tem o advogado e economista Carlos Costa (Republicanos) como candidato a vice-governador. A composição foi oficializada durante a convenção da Frente Popular de Pernambuco, em agosto.

A trajetória eleitoral de João Campos começou em 2018, quando foi eleito deputado federal por Pernambuco com mais de 460 mil votos, tornando-se o candidato mais votado da história do estado até então.

Em 2020, deixou a Câmara dos Deputados para disputar a Prefeitura do Recife. Aos 27 anos, foi eleito e se tornou o prefeito mais jovem da história da capital pernambucana. Naquele pleito, derrotou no segundo turno sua prima Marília Arraes, então filiada ao PT.

Quatro anos depois, João Campos foi reeleito prefeito do Recife no primeiro turno, com quase 80% dos votos. Em abril de 2026, renunciou ao cargo para disputar o governo estadual. Com a saída, o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB) assumiu a Prefeitura do Recife.

A eleição de 2026 marca a primeira candidatura de João Campos ao governo estadual.

O embate entre as famílias

A disputa entre João Campos e Raquel Lyra também colocou em lados opostos dois grupos familiares que já estiveram aliados na política pernambucana.

João Campos é filho de Eduardo Campos, que governou Pernambuco entre 2007 e 2014, e bisneto de Miguel Arraes, ex-governador e uma das principais referências históricas do campo político ligado ao PSB no estado.

Durante os dois mandatos de Eduardo Campos no governo estadual, o vice-governador foi João Lyra Neto, pai de Raquel Lyra. Em 2014, Eduardo deixou o cargo para disputar a Presidência da República, e João Lyra Neto assumiu o governo, permanecendo no posto até o fim daquele ano.

A relação política entre os dois grupos começou a se desfazer naquele período. Para a sucessão estadual, Eduardo Campos apoiou Paulo Câmara, do PSB, e não João Lyra Neto, que também pretendia disputar o governo.

A eleição de 2026, portanto, reúne no mesmo confronto eleitoral os filhos de dois antigos aliados políticos. Raquel Lyra busca um segundo mandato, enquanto João Campos tenta chegar pela primeira vez ao comando do Estado.

João Campos também protagonizou uma disputa eleitoral com Marília Arraes, igualmente neta de Miguel Arraes. Os dois passaram a disputar espaço dentro do campo político historicamente ligado ao PSB, até que Marília deixou a legenda em 2016 após divergências internas e seguiu trajetória própria.

O principal confronto eleitoral entre os primos ocorreu em 2020, quando disputaram o segundo turno pela Prefeitura do Recife. João Campos venceu a eleição.

Propostas para Pernambuco

As propostas apresentadas por João Campos estão reunidas no plano de governo intitulado “Pernambuco pronto para fazer história”. O documento tem 30 páginas e é organizado em 15 temas, chamados de “eixos estratégicos”.

Entre as medidas apresentadas pelo candidato estão a criação de um Pacto Antifacção, a isenção do IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas e um programa de colônia de férias destinado a estudantes da rede pública.

Na área da saúde, João Campos propõe a construção de um Hospital da Criança do Agreste e de uma nova unidade hospitalar em Petrolina, no Sertão.

Ao longo da campanha, o candidato também apresentou propostas em outras áreas, como abastecimento de água, infraestrutura, segurança, educação, tecnologia e desenvolvimento econômico. Entre as medidas anunciadas estão a oferta de vagas de formação em tecnologia, obras de recursos hídricos e ações para ampliar investimentos no estado.

Patrimônio declarado

João Campos declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 2.892.723,46. O valor consta no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a vice, Carlos Costa, declarou R$ 3.726.354,33.

No caso de João Campos, a maior parte dos bens está registrada na categoria de aplicações e investimentos. Entre os valores declarados estão R$ 2.284.591,73 e R$ 449.921,41 em aplicações, além de R$ 17.413,52 em outro investimento.

O candidato também declarou R$ 100 mil em quotas ou quinhões de capital e R$ 40.796,80 classificados como “outros bens e direitos”.

Carlos Costa declarou patrimônio distribuído entre imóveis, aplicações financeiras, participações societárias, VGBL e dinheiro em espécie. O maior item informado é um apartamento em Recife, avaliado em R$ 1.935.658,48.

Candidatos ao governo

Além de João Campos e Raquel Lyra, a eleição para o Governo de Pernambuco reúne outros seis candidatos: Camila Falcão (Unidade Popular), Guilherme Fonseca (PSTU), Ivan Moraes (PSOL), Renan Hallais (Missão), Victor Assis (PCO) e Jeremias Cosmo, que utiliza o nome de urna Professor Jeremias do Banco (Democrata).