Investigado pela PF, Miguel Coelho classifica operação como tentativa de desgaste em ano eleitoral

Ex-prefeito de Petrolina divulgou vídeo nas redes sociais após operação da PF que apura supostos desvios de emendas e contratos de pavimentação

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 27/02/2026, às 13h25

Imagem Investigado pela PF, Miguel Coelho classifica operação como tentativa de desgaste em ano eleitoral

Miguel Coelho divulgou vídeo após ser alvo da Operação Vassalos.

PF investiga supostos desvios de emendas destinadas a Petrolina.

Defesa afirma que parte dos fatos já foi arquivada pelo STF.

Prefeitura e empresas citadas negam irregularidades.

O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), divulgou nesta sexta-feira (27) um vídeo nas redes sociais em que comenta a Operação Vassalos, da Polícia Federal, que o tem como um dos investigados. Na gravação, ele afirma que não haverá recuo diante da investigação e classifica a ação como tentativa de desgaste político.

Não vamos nos intimidar por aqueles que querem manter Pernambuco no atraso. Vamos continuar trabalhando e lutando para trazer investimentos para o nosso estado”, declarou. Em outro trecho, acrescenta que a operação seria “uma ação espalhafatosa para tentar manchar o mérito do nosso trabalho”, disse ao tentar minimizar efeitos da investigação em sua pré-candidatura ao Senado.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o deputado federal Fernando Filho (União Brasil), pai e irmão de Miguel, respectivamente.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suposto esquema de desvios de emendas parlamentares e Termos de Execução Descentralizada (TEDs) destinados à Prefeitura de Petrolina e à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Parte dos recursos, de acordo com a petição, teria sido direcionada a contratos com a empresa Liga Engenharia Ltda., responsável por serviços de pavimentação no município desde 2017.

O que diz Miguel Coelho

No vídeo, o ex-prefeito destaca ações de sua gestão e afirma que os recursos obtidos por meio de articulação política contribuíram para o crescimento de Petrolina. “Durante a última década, usamos a nossa força política para garantir emendas e investimentos que transformaram Petrolina”, afirmou.

Ele também mencionou que trabalhou com diferentes governos federais, independentemente de alinhamento partidário. “Trabalhamos com os governos Temer, Bolsonaro e Lula, independente de bandeiras ideológicas. Nosso compromisso sempre foi com Pernambuco”, disse.

Antonio Coelho, Fernando Filho, Fernando Bezerra Coelho e Miguel Coelho lado a lado sorriem
Antonio Coelho não é citado. Fernando Filho e Miguel Coelho são filhos do ex-senador Fernando Bezerra Coelho (FBC) - Reprodução

Em nota conjunta, Miguel e Fernando Bezerra Coelho declararam que, conforme decisão do ministro Flávio Dino, parte dos fatos já teria sido analisada anteriormente pelo STF, com posterior arquivamento. O texto também ressalta que a Procuradoria-Geral da República se posicionou contra as medidas pleiteadas.

Detalhes da investigação

De acordo com a Polícia Federal, o núcleo político investigado teria direcionado emendas e TEDs à prefeitura e à Codevasf, que, por sua vez, firmaram contratos com a Liga Engenharia. A apuração aponta que, após os repasses, haveria pagamento de vantagens indevidas e ocultação patrimonial por meio de saques em espécie, triangulações financeiras e uso de empresas ligadas à família.

A Controladoria Regional da União e o Tribunal de Contas da União são citados na petição como responsáveis por fiscalizações que identificaram falhas e concentração de obras em Petrolina.

Os autos mencionam R$ 198,8 milhões em convênios para pavimentação firmados pelo município, dos quais R$ 120,1 milhões teriam origem em emendas e TEDs atribuídos a Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho. Também são citados R$ 190,5 milhões empenhados à Liga Engenharia desde 2017.

A defesa de Fernando Bezerra Coelho afirmou que não teve acesso integral aos autos, mas declarou que os recursos foram corretamente destinados. A Bari Automóveis, concessionária mencionada na operação, negou vínculo societário com o ex-senador e seus filhos e afirmou que acusações anteriores já foram arquivadas pelo STF.

A Prefeitura de Petrolina informou que atendeu aos pedidos de apuração com transparência, que os recursos são instrumentos legais previstos na Constituição e que não há decisão judicial que reconheça prática de ilícito por parte da gestão municipal.