Grupo dos Coelho afirmam que investigação teria viés político. Prefeitura de Petrolina garante que repasses foram usadas em obras
por Cynara Maíra
Publicado em 26/02/2026, às 07h54 - Atualizado às 09h04
A Polícia Federal deflagrou a Operação Vassalos para investigar supostos desvios de recursos públicos e fraudes em licitações envolvendo emendas parlamentares em Petrolina.
O ministro Flávio Dino (STF) autorizou 42 mandados de busca contra o ex-senador FBC, os irmãos Miguel e Fernando Filho, e o prefeito Simão Durando.
A investigação foca na relação do grupo político com a Liga Engenharia Ltda, que obteve R$ 190,5 milhões em contratos com a prefeitura, sendo parte expressiva via Codevasf.
Em nota conjunta, os Coelho afirmaram que a operação visa prejudicar o crescimento da cidade e alegaram que o STF e a PGR já se manifestaram contra medidas da PF no passado.
O prefeito Simão Durando defendeu que todos os recursos foram transformados em obras de pavimentação e mobilidade, com fiscalização dos órgãos de controle.
O desgaste jurídico ocorre em um momento crucial para Miguel Coelho, que negocia uma vaga ao Senado nas chapas de João Campos ou Raquel Lyra para o pleito de 2026.
Após a Polícia Federal deflagrar a Operação Vassalos por suposto esquema de desvio de recursos públicos em emendas parlamentares para Petrolina, os Miguel e Fernando Filho Coelho divulgaram nota sobre o caso.
Os irmãos Coelho e o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (FBC) são os principais alvos da operação da PF.
Em nota, Miguel e Fernando Filho afirmam que o alvo principal da operação seria "o crescimento da cidade de Petrolina" e que as emendas de FBC investigadas pela PF "transformaram o município [de Petrolina] que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida, indicadores educacionais e desenvolvimento humano".
O grupo cita que o Supremo Tribunal Federal (STF) já arquivou alguns fatos da investigação e que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra as medidas da Polícia Federal. Miguel e Fernando Filho dizem que a ação teria viés político com objetivo de perseguir o bloco de aliados.
Também alvo da operação, o prefeito de Petrolina, Simão Durando (UB) emitiu uma nota de esclarecimento em que afirma que a gestão transformou em obras os recursos das emendas parlamentares investigadas. Simão é aliado político da família política e foi vice-prefeito de Miguel, assumindo o cargo titular após Coelho tentar a disputa pelo Governo de Pernambuco em 2022.
A Prefeitura de Petrolina relatou que "atendeu com transparência total os pedidos de apuração de contratos para a realização de obras junto à Codevasf" e que "todos os repasses de recursos citados na investigação foram transformados em obras de pavimentação e recapeamento de centenas de ruas, políticas públicas essenciais para melhorar a mobilidade urbana, a segurança viária e a qualidade de vida da população".
A gestão cita que os projetos passaram por prestação e fiscalização de órgãos de controle em âmbito municipal, estadual e federal.
A operação pode prejudicar as intenções de Miguel Coelho de se candidatar a uma vaga ao Senado. O político almeja uma posição na chapa do prefeito João Campos (PSB). A governadora Raquel Lyra (PSD) admitiu conversas com Miguel para tentar captá-lo para seu grupo político.
O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
A PF investiga uma suposta operação criminosa que direcionaria licitações para empresas supostamente ligadas ao clã Coelho. A ideia seria usar recursos de emendas em pagamentos indevidos e ocultação de patrimônio.
Os agentes de segurança investigam a relação dos políticos com a Liga Engenharia Ltda. empresa que conseguiu 22 contratos na prefeitura de Petrolina desde 2017, totalizando R$ 190,5 milhões em empenhos. Pelo menos R$ 68,4 milhões vieram de emendas articuladas pelos Coelho, via Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
A operação investiga a possibilidade de que os Coelho tivessem influência direta nas ações da Codesvasf.